Três dias depois da divulgação de papéis que levantaram suspeitas de corrução no partido que comanda o governo espanhol, a oposição exigiu ontem a renúncia do primeiro-ministro Mariano Rajoy.
O líder socialista, Alfredo Pérez Rubalcaba, argumentou que Rajoy, do Partido Popular (PP), "não pode fazer frente aos problemas gravíssimos que tem pela frente".
No sábado, o primeiro-ministro falou pela primeira vez publicamente sobre as acusações e negou ter recebido dinheiro de um suposto caixa 2 mantido pela direção do PP. O caso foi levantado pelo jornal "El País", que aponta Rajoy como um dos beneficiários de pagamentos ilícitos.
— Nunca, repito, nunca recebi nem distribuí dinheiro ilícito, nem neste partido nem em outro lugar — afirmou, ao que acrescentou que não renunciará e que divulgará sua declaração de renda e seu patrimônio.
Relação com empreiteiros imputados por corrupção
No último dia 31, o "El País" publicou uma série de manuscritos do ex-tesoureiro do PP Luis Bárcenas Gutiérrez. Em 14 folhas de um caderno quadriculado, estão registros de 18 anos da gestão financeira de Bárcenas e que colocam em xeque a credibilidade do PP.
Os papéis incluem numerosas doações de empresas do ramo da construção civil, além de pagamentos ilegais — em que os receptores são identificados por siglas — e indicam relações com empresários que respondem a processos por corrupção.
Bárcenas renunciou ao cargo após juízes terem iniciado investigações sobre seu possível envolvimento em pagamentos ilegais para membros do partido vindos de empreiteiras e outras empresas que adquiriram contratos com o governo espanhol. A investigação revelou que Bárcenas possui uma conta bancária na Suíça que chegava a 22 milhões de euros. Seu advogado alegou que a quantia foi obtida por meios legítimos.
O escândalo se soma ao Caso Gürtel, que tramita na Justiça, e no qual o empresário Francisco Correa foi acusado de distribuir presentes e propina a funcionários e autoridades do PP em troca de favorecimento de suas empresas.
Rajoy, 57 anos, também enfrenta críticas por um governo que foi eleito no final de 2011 com promessas de recuperar o país da crise econômica, mas que não conseguiu reverter os índices considerados recordes na União Europeia.
Rajoy — até então tido amplamente pela população como um político tedioso, mas honesto — pediu aos espanhóis, em discursos recentes, que se preparassem para um período difícil em apoio à política de austeridade fiscal usada pela Europa para sair da crise. A vice-presidente e porta-voz do governo espanhol, Soraya Sáenz de Santamaría, promete medidas de regeneração, transparência e fortalecimento das instituições.








