The New York Times02/02/2013 | 05h51

Explosões de bueiros revelam problemas de infraestrutura no Rio de Janeiro

Desde 2010, explosões já quebraram janelas, amassaram carros e feriram transeuntes, chegando a matar um operário no porto do Rio no ano passado

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Explosões de bueiros revelam problemas de infraestrutura no Rio de Janeiro Marizilda Cruppe/NYTNS
Prefeitura do Rio de Janeiro, que sediará a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, enfrenta críticas por não conseguir resolver definitivamente o problema Foto: Marizilda Cruppe / NYTNS
Simon Romero e Taylor Barnes


Rio de Janeiro – David McLaughlin estava encantado por estar no Brasil. Ele havia chegado da Universidade Estadual de Ohio com uma bolsa para pesquisar o hip-hop brasileiro, com a esposa, Sarah Lowry, uma estudiosa de literatura russa. Os estudantes de pós-graduação, recém-casados, saíram para procurar um apartamento no bairro de Copacabana, de frente para o mar.

Então, enquanto atravessavam uma movimentada avenida, o asfalto sob seus pés começou a tremer. Uma bola de fogo surgiu repentinamente de um bueiro, envolvendo Sarah em chamas. David saltou sobre ela e apagou o fogo. Mas Sarah teve queimaduras em 80% do corpo, e passou 70 dias num hospital local. David teve 35 % do corpo queimado.

— A explosão foi uma das experiências mais traumáticas que posso imaginar — declarou David, de 34 anos, numa entrevista por telefone de Nova York, onde ele hoje mora com a esposa — Quase três anos depois, a recuperação fica mais difícil a cada vez que ouvimos sobre uma nova explosão nas ruas do Rio.

. Embora o número de explosões tenha diminuído, a cidade foi novamente agitada em dezembro, quando um bueiro explodiu atrás do Copacabana Palace, a gema neoclássica que é indubitavelmente o hotel mais luxuoso do Rio. Um motociclista escapou por pouco da explosão, filmando com o celular enquanto sua moto ardia em chamas.

Essas explosões não são exclusivas do Rio. De fato, especialistas em engenharia dizem que poucas grandes cidades estão imunes. Gases de inúmeras fontes podem se acumular no subsolo. Cabos elétricos, muitas vezes passando pelos mesmos canos, podem se desfazer com o tempo, produzindo uma fagulha que pode desencadear uma explosão — criando fogo e lançando tampas de bueiros de 50kg para o alto.

Mas Moacyr Duarte, um experiente pesquisador da infraestrutura da cidade na Universidade Federal do Rio de Janeiro, afirmou que as dezenas de explosões daqui, muitas vezes ocorrendo em áreas densamente povoadas, haviam claramente ultrapassado o que seria estatisticamente razoável antes do recente declínio.

As explosões deixaram os cariocas no limite, e o problema indica uma infraestrutura dilapidada, mesmo enquanto o Rio ressurge de um longo declínio econômico.

Enquanto o Rio se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a expansão da produção de petróleo offshore injetou vida em sua economia. A cidade buscou revitalizar áreas negligenciadas com projetos como um novo sistema de teleférico no Complexo do Alemão, um conjunto de favelas, enquanto um boom imobiliário atraiu gente como Donald J. Trump, que pretende construir cinco arranha-céus.

Ao mesmo tempo, o renascimento do Rio apenas aumentou a pressão sobre sua envelhecida infraestrutura.

Enquanto o tráfego de passageiros no aeroporto internacional do Rio aumentou 20 % no ano passado, ele foi assolado por blecautes nas últimas semanas, elevadores e escadas rolantes funcionam esporadicamente, e abutres entraram por buracos no telhado do aeroporto.

A frota de carros do Rio cresceu 56 % na última década, mas as melhorias em ruas e no transporte público não conseguiram acompanhar o ritmo, intensificando os congestionamentos. No ano passado, no centro da cidade, um prédio de 20 andares simplesmente desabou numa noite, derrubando dois outros edifícios e matando 17 pessoas.

Em meio a tantos desafios, a erupção de bueiros tem persistido apenas como mais uma característica bizarra e potencialmente perigosa da paisagem urbana.

Alguns cariocas encontraram humor negro na pura aleatoriedade. Um jogo para o Facebook, "Desafio Rio Boom-eiro", envolve evitar explosões nas calçadas.

Outros encontraram inspiração artística. Fabio Maia, executivo de publicidade, vem colocando adesivos no formato de um fusível iluminado ao lado de bueiros. A ideia veio após um dia se desviando de bueiros enquanto passeava com seu filho num carrinho.

— Comecei a me perguntar que tipo de loucura é essa.

Duarte, da Universidade Federal, afirmou que muitas erupções de bueiros foram causadas por vazamentos de gás ou petróleo em redes subterrâneas sobrecarregadas, algumas construídas na década de 1920.

Após um surto nas explosões de rua em 2010 e 2011, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e promotores fizeram as empresas fornecedoras concordarem em pagar multas de cerca de US$ 50 mil por explosão, além de danos às vítimas. A companhia elétrica Light declarou, porém, que ainda não chegou a um acordo para pagar os danos a McLaughlin e Lowry.

Numa declaração, o gabinete de Paes afirmou que a "pior fase" da crise dos bueiros já havia terminado, explicando que uma operação de emergência em 28 bairros concluída no ano passado identificou 314 bueiros com grande risco de explosão, e que equipes foram enviadas para consertar cada um deles.

Ainda assim, a prefeitura reconheceu que a questão não foi completamente resolvida, levando Paes a aumentar a multa por explosão para US$ 250 mil e apressar um projeto mapeando toda a rede subterrânea da cidade.

A Light declarou ter conduzido um programa de investimento de US$ 115 milhões nos últimos dois anos, focado em evitar novas explosões.

A empresa se recusou a divulgar números de quantas explosões teriam ocorrido recentemente nas ruas do Rio, mas argumentou que elas estão menos frequentes e que eventualidades em câmaras subterrâneas ocorrem no mundo todo.

Os bueiros continuam explodindo. O gabinete do prefeito admitiu que houve ao menos cinco explosões em 2012, deixando um morto e vários feridos. A explosão de dezembro em Copacabana, um dos distritos mais populosos do Rio, semeou pânico entre os transeuntes.

Segundo Antonio Carlos Costa, presidente da Rio de Paz, grupo de direitos humanos que pintou as tampas de bueiros do Rio de vermelho para chamar a atenção para o risco, as explosões oferecem uma visão dos perigos que o novo clima econômico foi incapaz de solucionar.

— No Brasil nós temos dois tipos de violência, a violência intencional e a que é produto de negligência. Esse é um tipo de violência mais sutil, mas muito presente na cultura brasileira. Este país é economicamente forte, mas não temos uma cultura de proteger a vida humana.

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    luiz zini piresDortmund empata quando o Bayern era melhor. O jogo melhora a cada minuto. Final absolutamente imprevisívelhá 22 minutosRetweet
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    luiz zini piresBayern sai na frente. Equilibrou o jogo, fez o gol, com talento e oportunismo. Há mais meia hora de partida.há 31 minutosRetweet
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