The New York Times05/02/2013 | 05h02

Civis policiam as ruas no sudoeste do México em meio a surto de violência

Armados de rifles e facões, moradores da cidade de Ayutla de los Libres prenderam pelo menos 36 pessoas

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Karla Zabludovsky


Cidade do México — Um surto de violência no sudoeste rural do México levou os civis de uma série de comunidades a pegarem em armas e policiarem suas próprias comunidades, colocando em evidência a falta de segurança estatal, enquanto um novo governo se prepara para enfrentar a violência do país.

A última explosão de cidadãos policiando as ruas começou há cerca de três semanas na pequena e montanhosa cidade de Ayutla de los Libres, no Estado de Guerrero, quando os moradores empunharam rifles e facões, e prenderam ao menos três dúzias de pessoas que, segundo eles, as autoridades deixaram de apreender.

Desde então, a prática se espalhou por outras áreas do Estado, com líderes do movimento e autoridades locais de direitos humanos dizendo que mais de cem pequenas comunidades estão se autopatrulhando agora.

Recentemente, o jornal local relatou que comunidades indígenas no Estado de Jalisco também estavam planejando suas próprias forças policiais de cidadãos.

Os justiceiros não são incomuns no México, particularmente nas áreas rurais ou indígenas onde há falta de policiais, e a desconfiança em relação às instituições governamentais é profunda. Mas a proliferação das drogas e das gangues do crime organizado em áreas remotas os últimos anos piorou a sensação de falta de lei por lá, criando o tipo de explosões violentas que o novo governo do presidente Enrique Pena Nieto prometeu controlar com uma força paramilitar.

O movimento de policiamento pelos cidadãos em Guerrero começou em 1995, e hoje alega ser lei em 77 cidades e vilas no Estado. O movimento chegou até Colonia Lebaron, na fronteira com Chihuahua, onde os moradores armaram uma força civil de defesa em 2009 depois de dois moradores terem sido assassinados, e a Cheran, no Estado de Michoacan, cujos moradores expulsaram a polícia em 2011, fecharam as entradas da cidade e se armaram contra madeireiros ilegais violentos, que segundo se acredita, eram protegidos pelos sindicatos criminais.

Em Ayutla de los Libres, os esquadrões de cidadãos policiais construíram seus próprios postos, imitando os outros movimentos de polícias comunitárias na região. O destino dos que são presos por suspeita de extorsão e sequestro é incerto. Abel Barrera Hernandez, representante de direitos humanos de Tlapa de Comonfort, Guerrero, disse que os moradores iriam investigar as acusações e fazer um julgamento público até o final do mês.

Não há registros de quantas pessoas estejam participando desses esforços, mas líderes do movimento esperam que cada vez mais comunidades se unam a eles.

— A arma mais importante será a organização das pessoas — disse Bruno Placido Valerio, que ajuda a organizar a polícia comunitária de Guerrero. Ele diz estar recebendo ligações regulares de outros líderes de comunidade que querem se unir ao movimento.

O governador do Estado, Angel Rivero, parece estar tolerando o rumo dos eventos, acertando o equilíbrio entre promessas para restaurar a autoridade do Estado e conhecer as falhas no policiamento, fornecendo, para algumas das polícias comunitárias mais estabelecidas, veículos, uniformes e rádios.

As autoridades oficiais dizem estar preparadas para ajudar a reinstituir o policiamento estatal.

— Nós entendemos vocês, e é por isso que temos que exercer toda a força do Estado para protegê-los — disse Miguel Angel Osorio Chong, secretário do interior, recentemente em uma conferência no Estado de Nayarit.

Muito do autopoliciamento acontece nas comunidades indígenas, onde a pobreza e a marginalização prevalecem. Muitas dessas comunidades, há muito tempo, nutrem uma suspeita contra o Estado. Na verdade, algumas se consideram autônomas do México, o que algumas vezes lhes rendeu um autogoverno na prática.

— Eles puderam reavaliar suas instituições, recriá-las e confrontar algo que o Estado mexicano não foi capaz de resolver — disse Sergio Sarmiento Silva, especialista em movimentos indígenas na Universidade Nacional Autônoma do México.

Algumas autoridades, incluindo o governador, estão achando meios de respeitar a autoridade estatal ao defender um reconhecimento legal dos grupos de polícia comunitária para preencher lacunas óbvias na lei e ordem.

— Deveríamos propor uma reforma constitucional onde a participação da polícia comunitária esteja incluída, por que em muitos lugares nos quais elas operam, os níveis de violência caíram — disse Aguirre Rivero.

Placido Valerio disse que a policia comunitária iria acatar o devido processo legal para aqueles que fossem detidos.

Enquanto isso, eles já estão encarando alguns dos desafios encontrados pelos profissionais substituídos por eles.

Em janeiro, uma unidade civil de autodefesa em Atliaca, Guerrero, alvejaram e mataram Benito Garcia, de 30 anos, suspeito de roubo. Os detalhes ainda não foram esclarecidos.

A família de Garcia alega que ele era inocente e exigiu uma investigação por parte do Estado.

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