Disputa pelo voto09/02/2013 | 11h08

Brasileiros com dupla cidadania fazem campanha para conquistar vagas no parlamento italiano

As eleições serão realizadas nos dias 24 e 25

Enviar para um amigo
Brasileiros com dupla cidadania fazem campanha para conquistar vagas no parlamento italiano Tony Gentile/REUTERS
Propaganda nas ruas de Roma disputa a atenção dos cerca de 7 milhões de eleitores indecisos e tenta despertar o interesse de quem diz que não irá votar Foto: Tony Gentile / REUTERS

Lar da maior comunidade italiana fora da Itália, a América do Sul é um ponto importante no mapa da eleição para o parlamento da pátria de Michelangelo e Garibaldi.

O papel crucial do subcontinente não se resume aos 600 mil descendentes que residem abaixo do Rio Grande. Enquanto os 51 milhões de cidadãos que vivem em solo europeu votam nos próximos dias 24 e 25, por aqui o pleito já começou.

A América do Sul tem direito de representação de quatro deputados e dois senadores – conforme listas compostas de candidatos além-mar. No Brasil, são 288 mil eleitores aptos a escolher seus parlamentares na nominata recebida pelo correio. Desse total, 40 mil estão no Rio Grande do Sul.  As cédulas de votação começaram a chegar às casas de italianos e de sul-americanos com cidadania no último dia 6.  A conclusão da entrega está prevista para este domingo.
 
A nominata sul-americana conta com 15 candidatos residentes no Brasil. Eles defendem uma agenda que, embora contemple a comunidade ítalo-brasileira, redunda sempre na urgência de agilizar o processo de obtenção de cidadania italiana:

– São 40 mil eleitores no Rio Grande do Sul, e mais 40 mil na fila da cidadania. Não é culpa do consulado, que tem poucos funcionários, mas é necessário lutar por mais estrutura consular – defende a genealogista Claudia Antonini, única residente no Estado entre os candidatos brasileiros, que concorre pelo Partido Democrático.

Questionada sobre seus motivos para concorrer ao parlamento, ela conta que pensou no Estado:

– Se a única maneira de ter alguém representando o Rio Grande do Sul na Itália fosse que eu concorresse, então eu concorreria – diz Claudia, que há 17 anos atende ao lado do consulado italiano em Porto Alegre, prestando serviços de tradução e de consultoria à comunidade ítalo-brasileira.

Único candidato a disputar a reeleição ao Senado, Edoardo Pollastri defende a difusão da língua italiana no Brasil e o fim da dupla taxação da aposentadoria recebida por italianos no país, além de uma representaçãopermanente do Mercosul em Roma.

Os deputados e senadores eleitos têm garantidos um gabinete em Roma e outra base em sua cidade de origem.

Os eleitores registrados pelas unidades consulares de suas cidades têm até o dia 21 para enviar a cédula de votação. Recomenda-se, entretanto, que seja enviada até o dia 18, evitando atrasos no recebimento do material.


Pesquisa aponta liderança do Partido Democrata

Na sexta-feira, prazo final para a divulgação de pesquisas eleitorais, a liderança era da coligação de centro-esquerda liderada por Pier Luigi Bersani (PD), que detinha 33,6% das intenções de voto. Em segundo lugar, aparece o grupo político do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi (PDL), com 28,5% dos votos.

A lei eleitoral italiana prevê um percentual mínimo a ser alcançado pelos partidos para que seja possível seu ingresso na Câmara e no Senado. Os percentuais são, respectivamente, de 4% e de 8%. Assim, se o pleito ocorresse hoje, os partidos de menor representação que entrariam no parlamento seriam o Movimento 5 Estrelas, de Beppe Grillo, a coalizão do atual primeiro-ministro, Mario Monti, com 13,6%, e a lista Revolução Civil, do ex-procurador antimáfia Antonio Igroia, com 4,1%. Entretanto, mais de 7 milhões de eleitores italianos ainda estão indecisos, e cerca de 11 milhões afirmam que não comparecerão às urnas.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga os perfis de ZH no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros