Olhar Global15/01/2013 | 06h06

Luiz Antônio Araujo: "Professor Obama"

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Luiz Antônio Araujo

luiz.araujo@zerohora.com.br

O pacote de medidas para restringir a venda e o porte de armas que o vice-presidente Joe Biden apresenta hoje ao presidente Barack Obama dificilmente poderá ser qualificado de radical. Ainda assim, é o mais próximo que a Casa Branca chega de um freio à proliferação de armas nos últimos 20 anos. Ao afirmar que pelo menos está sendo honesto com os americanos sobre o que pode funcionar em matéria de controle de armas, o presidente Barack Obama deixa claro que não tem ilusões a respeito das chances de o Congresso aprovar as medidas. Com o pacote, seu principal objetivo é demonstrar que não ficou de braços cruzados diante de massacres como o de Newtown.

O tema do controle de armas é visceralmente impopular nos Estados Unidos. Não deixa de haver algo admirável na paixão com que americanos de distintas idades, níveis de escolaridade e profissões defendem o direito de possuir uma arma. O americano médio tem uma desconfiança intuitiva e profunda de qualquer tipo de intervenção estatal sobre as escolhas políticas dos cidadãos, da educação à pesquisa científica. Há alguns anos, o Nobel da Paz Elie Wiesel se disse a favor de que a negação do Holocausto fosse considerada crime nos Estados Unidos. Foi aconselhado a não tentar mexer na primeira emenda à Constituição americana, que proíbe imposição de limites à liberdade de expressão.

Guardadas as proporções, Obama age no caso da proibição de armas como fez em relação ao abismo fiscal: firma uma posição e aguarda com frieza até que os demais atores políticos se vejam empurrados pelas circunstâncias políticas na mesma direção. É uma atitude professoral, mas que está dando certo.

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