Travessia da Antártica09/01/2013 | 04h01

Expedição ao continente antártico busca realizar façanha inédita

Seis exploradores atravessarão 4 mil quilômetros de gelo em seis meses durante o inverno da região mais fria do mundo

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Expedição ao continente antártico busca realizar façanha inédita ALEXANDER JOE/AFP PHOTO
Navio SA Agulhas partiu da África do Sul com o grupo de exploradores Foto: ALEXANDER JOE / AFP PHOTO

Numa aventura classificada como um dos últimos desafios da exploração antártica, um grupo encabeçado pelo aventureiro britânico Ranulph Fiennes, zarpou na segunda-feira da Cidade do Cabo com destino à Antártica.

A expedição de seis integrantes pretende usar esquis para atravessar o continente gelado em pleno inverno no Hemisfério Sul, da Crown Bay, no leste da Antártica, a McMurdo Sound, no oeste, percorrendo uma distância de 4 mil quilômetros em seis meses.

O grupo, que viaja a bordo do navio de exploração antártica do governo sul-africano SA Agulhas, rejeita qualquer tipo de ajuda e até mesmo a possibilidade de ser resgatado. Batizada como A Viagem Mais Fria, a expedição terá início em março, a uma altitude de 3 mil metros, num período em que as temperaturas alcançam mínimas de 90 graus abaixo de zero, com sensações térmicas de até 120 graus negativos em razão dos ventos. A meta é percorrer 35 quilômetros por dia na escuridão do inverno polar para chegar ao ponto final, McMurdo Sound, em setembro. A empreitada de Fiennes e seus companheiros é a primeira tentativa de cruzar a Antártica no inverno.

— Fazemos expedições há 40 anos e batemos muitos recordes no mundo. Na Antártica, já quebramos dois, em 1979 e em 1992, mas foram durante o verão. Ninguém nunca fez viagens no inverno. Partimos em direção ao desconhecido — disse Fiennes.

Uma vez iniciada a aventura, o grupo não terá a possibilidade de ser socorrido, uma vez que, durante oito meses, os navios não navegam no continente gelado.

— Vamos levar mantimentos suficientes para um ano e teremos ainda um médico na nossa equipe. Utilizaremos todos os dispositivos conhecidos de calefação e novos aparelhos respiratórios — ressaltou Fiennes.

Aos 65 anos, o aventureiro escalou o Monte Everest, no Himalaia, e é considerado pelo Livro Guinness dos Recordes o "maior explorador vivo". A caravana tem um objetivo humanitário: arrecadar US$ 10 milhões (cerca de R$ 20 milhões) que serão doados à organização britânica Seeing Is Believing (Ver É Acreditar) para ajudar cegos.

Temperaturas de 70°C negativos

Nem tudo é otimismo entre os tripulantes. Um deles, Anton Bowring, admitiu em seu blog que há "apreensão" entre os aventureiros: "Será extraordinário se nada de ruim acontecer durante a escalada ao longo de 4 mil quilômetros de gelo a temperaturas de 70 graus negativos e escuridão perpétua onde geleiras podem engolir um guindaste de 25 toneladas no piscar de um olho congelado". Numa reportagem sobre a expedição intitulada "Convenhamos, Sir Ranulph Fiennes, É Hora de Pendurar suas Botas de Neve", o jornal The Daily Telegraph, da Grã-Bretanha, pergunta com bom humor: "Sir Ranulph Fiennes nunca se enfiou na cama com um bom livro?"

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