Na mais ousada declaração de um presidente americano nos últimos 20 anos sobre o controle de armas, o presidente Barack Obama afirmou ontem, em entrevista coletiva na Casa Branca, que faz sentido proibir a venda de rifles de assalto. O posicionamento foi assumido na véspera da divulgação de um pacote de medidas para coibir massacres com armas de fogo.
— A crença de que devemos ter um controle maior dos antecedentes, de que podemos fazer um trabalho muito melhor em termos de manter os carregadores de grande capacidade longe das mãos das pessoas que não deveriam possuí-los, uma proibição de rifles de assalto que seja significativa... essas são coisas que, continuo acreditando, fazem sentido — afirmou.
Ao tratar das perspectivas de o Congresso aprovar as mudanças, Obama foi reticente:
— Todas as propostas serão aprovadas por este Congresso? Não sei, mas o que predomina em minha mente é certamente que sou honesto com o povo americano e com os membros do Congresso sobre o que acredito que funcionará.
O presidente decidiu agir depois da tragédia da escola Sandy Hook, em Newtown, Connecticut, na qual morreram 26 pessoas, entre elas 20 crianças. O massacre completou um mês ontem.
Segundo Obama, o grupo de trabalho liderado pelo vice-presidente Joe Biden apresentou “uma lista de passos sensatos, de sentido comum, que podem assegurar que a violência” vista em Newtown “não volte a se repetir”. O presidente, que tomará posse para seu segundo mandato na segunda-feira, afirmou que apresentará detalhes sobre as medidas.
Biden foi escolhido após o massacre em Connecticut para discutir a questão das armas com a Associação Nacional do Rifle (NRA), entre outros. O lobby opõe-se à limitação do porte de armas. Questionado sobre quais ações poderiam ser tomadas sem a necessidade da aprovação do Congresso, Obama afirmou que podem estar relacionadas, “por exemplo, com as armas que caem nas mãos de delinquentes”, e em como realizar um controle mais eficaz a esse respeito.
Defensores do direito de portar armas responderam furiosos à ideia de que Obama poderia usar decretos para impor novas medidas. Em um site, o presidente chegou a ser comparado a Hitler.













