The New York Times06/12/2012 | 04h57

Renovação no Congresso dos EUA: bizarrices de quem vai embora farão falta

Políticos que se despedem do Capitólio no ano que vem levarão consigo peculiaridades que chamaram a atenção durante seus mandatos

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Renovação no Congresso dos EUA: bizarrices de quem vai embora farão falta Stephen Crowley/NYTNS
Senador americano Kent Conrad e sua cadela, Dakota, passeiam pelas dependências do Capitólio, em Washington Foto: Stephen Crowley / NYTNS
Jennifer Steinhauer


Washington – Muita coisa fará falta no Capitólio no ano que vem, quando mais de 80 dos atuais membros irão embora, metade involuntariamente. Digam adeus ao conhecimento de política exterior do senador Richard G. Lugar, de Indiana, ao saber institucional de muitos na delegação californiana e, talvez o mais triste de todos, ao bichon frisé do senador Kent Conrad.

O cachorro, batizado Dakota por causa do Estado natal do senador, Dakota do Norte, era um acessório nos corredores da câmara alta da mesma forma que as escadarias de mármore e as entrevistas coletivas indignadas. Ele costumava ser carregado por um integrante da equipe que tentava valentemente manter a dignidade ao acariciar o bicho felpudo enquanto seu dono votava. Nem de longe Dakota será a única parte da cultura do atual Capitólio a partir.

Indo embora com a senadora Kay Bailey Hutchison, do Texas, estará sua famosa bolsa, carregada em rodízio por homens jovens – papel conhecido como "o menino da bolsa" – enquanto ela caminha do piso do Senado à sua sala ou pela cidade.

Nunca mais os habitantes do Capitólio verão o ubíquo celular do deputado Timothy V. Johnson, pressionado por ele na orelha o dia inteiro enquanto caminhava pelo local ligando para todos os eleitores do Illinois, nem irão refletir como a deputada Nan Hayworth, de Nova York, consegue evitar os tombos enquanto corre com seus saltos altos.

Teremos novos membros a discursar a respeito dos modos errôneos dos colegas, é claro, nas será que algum vai se equiparar à vituperação coletiva dos ex-candidatos a candidatos presidenciais Ron Paul e Dennis J. Kucinich?

Da decoração pitoresca das salas aos aspectos educadamente conhecidos como excentricidades pessoais, o fim do 112º Congresso deixou sua marca em fatos grandes, pequenos e, de certa forma, esquisitos.

— É mesmo meio triste — disse o deputado, Peter Welch democrata de Vermont, sobre os futuros ex-colegas e suas peculiaridades. — Você se acostuma a ver determinadas pessoas o tempo inteiro, e desenvolve certo afeto até mesmo pelos adversários mais briguentos. Quer dizer, não dá para inventar um Allen West.

Sentiremos falta de West, o congressista birrento da Flórida, se não por outra coisa que os comentários indignantes, que funcionavam como um tapa-buraco confiável capaz de preencher qualquer buraco entediante no noticiário. De maneira mais notável, ele gostava de citar o número de democratas da Câmara que acreditava serem comunistas – entre 78 e 81 –, porém existiram muitas mais opiniões ao longo de sua carreira de um mandato.

Em termos de bizarrices e barafunda geral, West talvez tenha de tirar o chapéu para membros mais antigos, principalmente ao deputado Barney Frank, de Massachusetts, cujos comentários maliciosos, observações demolidoras variadas e caçoadas dignas de programa de entrevistas são conhecidos muito além da capital. Certa feita ele disse a um presente a uma reunião em sua própria câmara municipal que "tentar ter uma conversa com você seria o que mesmo que discutir com uma mesa de jantar".

O deputado Bob Filner, da Califórnia, também é reconhecido pelo gênio, incluindo, entre outras coisas, a vez em que foi acusado de contravenção e agressão física após uma altercação com um agente de bagagem da United Airlines enquanto aguardava a mala atrasada. (Mais tarde, ele se declarou culpado de uma acusação menor e pagou multa.)

A seguir, temos a moda. Por favor, incline a cabeça em silêncio para marcar a passagem do cravo branco na lapela do deputado Gary Ackerman. Segundo o congressista, a tradição de usar uma flor na lapela começou 40 anos atrás quando lecionava para uma sala difícil do ginásio e pegou um cravo sem mais nem menos para usar durante a aula. Embora os alunos tenham pensado ser o indicativo de um dia especial, ele explicou a eles que "todo dia é especial" e a flor se tornou parte de seus trajes diários.

— Da minha perspectiva, o cravo não se tornou um elemento visual — ele afirmou filosoficamente. — A flor se tornou parte de mim e da minha perspectiva.

No Dia de São Patrício, ele usa um cravo verde e, pelo menos uma vez por ano, ele vai de rosa, só para desconcertar as pessoas.

De acordo com Ackerman, "quando fui eleito pela primeira vez, falaram: 'Não vão levá-lo a sério se você for o cara que usa uma flor'. Participei de uma votação sem ela e não me senti bem".

Do outro lado da rotunda do Capitólio, temos o rabo-de-cavalo da senadora Olympia J. Snowe, que fica parado numa quietude incomum nas costas dos elegantes conjuntos da republicana do Maine, visual adotado por ela "desde que a conheço", afirmou sua colega pelo mesmo Estado, a senadora Susan Collins, que permanecerá. Ninguém sabe ao certo como Hayworth era capaz de se virar com seus saltos altos, mas ela afirmou muitas vezes ser capaz de correr com eles.

Contudo, poucos acessórios provocaram tantos comentários no corredor quanto a bolsa de Hutchison; vários dos "meninos da bolsa" deixaram seu escritório no Senado para estudar em boas escolas de direito no Texas, asseguram antigos membros de sua equipe.

— Muitos senadores, homens e mulheres, contam com assessores de viagem que os ajudam a manter o cronograma e a carregar materiais para reuniões — afirmou Dean Pagani, porta-voz de Hutchison.

No fim das contas, é claro, será dos relacionamentos que as pessoas sentirão mais falta, embora, talvez, alguns membros vejam os antigos colegas caminhando pelos corredores do Congresso novamente, desta vez como lobistas. Eles não seriam os primeiros a passar por essa transformação.

— Existe algo especial em cada um deles — declarou o deputado Tom Cole, de Oklahoma, a respeito dos políticos que se despedem do Congresso. — Basicamente, dá para gostar de todos. Ninguém vota em pessoas desagradáveis.

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