Bênção de Natal25/12/2012 | 11h45

Papa prega solução política na Síria

Da varanda da Basílica de São Pedro, Bento XVI apelou pelo fim do derramamento de sangue no país

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Papa prega solução política na Síria Gregorio Borgia/AP Photo
Papa deu "indulgência plenária", tradicional perdão dos pecados no Natal Foto: Gregorio Borgia / AP Photo

Papa pede solução política na Síria e faz apelo a dirigentes chineses

O papa Bento XVI pediu nesta terça-feira, durante a sua tradicional bênção "Urbi et Orbi", aos envolvidos no conflito sírio a "procurar uma solução política" e lançou um apelo à imensa China para que se abra às religiões.

– Sim, que a paz germine para o povo sírio, profundamente ferido e dividido por um conflito que não poupa sequer os indefesos e ceifa a vida de vítimas inocentes – declarou o papa na Basílica de São Pedro, diante de milhares de fiéis reunidos sob um céu nublado na Praça de São Pedro.

E acrescentou:

– Eu faço um apelo pelo fim do derramamento de sangue, que seja facilitado o socorro aos deslocados e refugiados e que, através do diálogo, procurem uma solução política para o conflito. Que a paz também brote na terra onde nasceu o Redentor e que dê aos israelenses e aos palestinos a coragem para pôr fim a muitos anos de luta e de divisões, e para empreender com determinação o caminho da negociação.

Joseph Ratzinger também fez referência ao Norte da África que, com a Primavera Árabe, "atravessa uma profunda transição em busca de um novo futuro". Ele citou o Egito, país do mundo árabe onde os cristãos coptas são os mais numerosos:

– Uma terra amada e abençoada pela infância de Jesus, onde os cidadãos devem construir juntos uma sociedade baseada na justiça, no respeito pela liberdade e dignidade de cada pessoa.

A bênção foi transmitida por emissoras de televisão de todo o mundo e os espectadores também receberam a "indulgência plenária" – o perdão dos pecados tradicionalmente entregue nesta ocasião.

Bento XVI fez um apelo aos "novos líderes chineses" para que "valorizem a contribuição das religiões" no país, enquanto que as tensões aumentaram nos últimos anos entre a China e o Vaticano.

O Cristo, disse, "olha para os novos líderes da República Popular da China, para a alta carga que os espera. Espero que coloquem em valor a contribuição das religiões (...) de modo que possam contribuir para a construção de uma sociedade solidária", declarou.

Os católicos chineses estão divididos entre uma igreja leal a Roma e uma Igreja nacionalista ligada ao poder.

Bento XVI pediu, em seguida, por soluções pacíficas na África, Nigéria, Quênia, Mali, República Democrática do Congo:

Ele rezou pelo "retorno da harmonia na Nigéria, onde atrozes atentados terroristas continuam a ceifar vidas, especialmente entre os cristãos, e condenou" os ataques sangrentos contra a população civil e lugares de culto no Quênia.

Finalmente, para a América Latina, continente com a maioria dos católicos, ele rezou para que Cristo "apoie todos aqueles que são forçados a imigrar" e "que fortaleça os governantes em seu compromisso com o desenvolvimento e na luta contra a criminalidade".

O líder de 1,2 bilhão de católicos em todo o mundo, quis ressaltar na mensagem de Natal a esperança: "Sim, há uma boa terra, uma terra saudável, livre do egoísmo. Existe no mundo uma terra que Deus tem preparado para vir e viver entre nós. (...) Esta terra existe, e hoje, em 2012 (...) Portanto, há esperança, uma esperança confiável, mesmo em tempos e nas situações mais difíceis".

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