Na democracia19/12/2012 | 15h21

Filha de ditador é eleita presidente da Coreia do Sul

Park Geun-hye venceu opositor histórico ao regime de seu pai

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Filha de ditador é eleita presidente da Coreia do Sul JUNG YEON-JE/AFP
Park Geun-hye seduziu esquerda apresentando-se como uma mulher moderna e livre Foto: JUNG YEON-JE / AFP
Park Geun-hye, eleita nesta quarta-feira presidente da Coreia do Sul, é um símbolo doloroso da história de seu país: filha de um ditador assassinado em 1979, herança da qual precisou se livrar publicamente para atingir seus objetivos a tempo de conquistar eleitores, muitas vezes nostálgicos em relação ao regime militar.

Com 85% dos votos apurados, Park conquistou uma vantagem insuperável de 51,6% da preferência dos eleitores, contra 48% de seu rival, Moon Jae-in, que reconheceu a derrota.

Park Geun-hye é a filha de Park Chung-hee, cujo reinado brutal sobre a "República da Coreia" durou 18 anos, até seu assassinato em 1979. Sua mãe havia falecido cinco anos antes baleada por um militante favorável ao regime comunista norte-coreano.

Com a vitória, Park chega ao auge do poder derrotando nas urnas Moon Jae-in, um opositor histórico ao regime de seu pai que pagou com sua liberdade os compromissos assumidos a favor dos direitos humanos.

Park Geun-hye continua sendo muito popular entre o eleitorado mais velho e conservador do país, que considera que seu pai foi o autor do milagre econômico sul-coreano após a guerra da Coreia (1950-1953).

Justamente foi em termos moderados que ela denunciou a repressão nos anos 1960/1970. "Acredito que um valor inalterável da democracia é que o fim não pode ser justificado pelos meios na política', havia declarado no fim de setembro.

Park estudava na França em 1974 quando foi chamada a Seul junto ao seu pai viúvo para servir de primeira-dama. Após seu assassinato, abandonou a vida pública e só retornou a ela em 1998, quando foi eleita deputada.

Solteira de 60 anos, sem filhos, Park utilizou este status para seduzir a esquerda, apresentando-se como uma mulher moderna e livre, e os eleitores cansados dos casos de favoritismo que beneficiam as grandes famílias econômico-políticas do país.

Seus opositores a consideram arrogante e fria, e a chamam de "rainha de gelo". Seus simpatizantes elogiam sua calma, suas qualidades de líder e sua combatividade em um país patriarcal e que envelhece, onde apenas 1% das mulheres figuram no conselho de administração de grandes empresas.

Em 2006, durante uma reunião política, um atacante a feriu no rosto com uma faca, o que exigiu cerca de 60 pontos de sutura no ferimento.

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