Ceticismo24/12/2012 | 09h54

Antropólogos se mostram céticos quanto à tumba de Talpiot

Documentário de cinco anos atrás trata de suposta descoberta, em Jerusalém, do túmulo que poderia abrigar os restos do carpinteiro da Galileia e de sua família

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— Jesus nasce, morre e vive como judeu de origem camponesa, tinha ótica camponesa de encarar o mundo. Não se admite que um líder de gente pobre e explorada tivesse dinheiro para comprar um terreno e construir coisas caras como esses ossários? E o nome Jesus é muito comum — sustenta André Chevitarese, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Autor de livros como Jesus Histórico — Uma Brevíssima Introdução, Chevitarese compara o movimento liderado por Jesus, de judeus oprimidos pelos romanos, com a Coluna Prestes na República Velha.

— Eles não podiam parar. As autoridades estavam sempre no calcanhar deles — compara.

E acrescenta:

— Não se encontram ossos de judeus crucificados — diz Chevitarese.

Francisco Marshall, que desde 1996 lidera projetos arqueológicos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Israel, é ainda mais cético. Diz ser "impossível" qualquer conclusão da sua área sobre o tema, pois os escritos evangélicos não são contemporâneos aos episódios narrados e porque "um miserável seminômade" como Jesus não deixaria vestígios.

— Não existe, nunca existiu e jamais existirá arqueologia de personagens daquela natureza

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