Opinião21/11/2012 | 09h59

Rodrigo Lopes: Atentado rompe inviolabilidade de Tel-Aviv e deixa invasão a Gaza por um fio

Ataque deixa ainda mais perigosa a escalada do conflito entre Israel e o Hamas

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O ataque ao ônibus em Tel-Aviv eleva a um degrau ainda mais perigoso a escalada do conflito entre Israel e o Hamas por três motivos:

1) Capital comercial e sede da maioria das embaixadas, Tel-Aviv é simbólica - não tem a importância religiosa de Jerusalém, mas é fundamental do ponto de vista militar, estratégico e econômico. Em 2006, quando cobri a guerra de Israel com o Hezbollah libanês, dizia-se, nas ruas de Tel-Aviv que, se um foguete caísse na cidade, o conflito atingiria níveis estratosféricos de violência e poderia incendiar todo o Oriente Médio. Um ataque a Tel-Aviv não seria tolerado. Ele não ocorreu na ocasião. O atentado desta terça-feira rompe com essa sensação de inviolabilidade.

2) Por mais criticada - interna e externamente - que seja, a barreira de proteção construída por Israel (também chamada de muro ou cerca) reduziu drasticamente o número de atentados terroristas em Tel-Aviv e Jerusalém. Ataques contra restaurantes, lanchonetes e casas noturnas - frequentes nos anos 1990 e início dos 2000, durante a segunda Intifada -, hoje são raros. O atentado desta terça-feira rompe com essa sensação de segurança.

3) Quando o mundo celebrava uma suposta vontade política ontem em torno de um cessar-fogo que seria anunciado à tarde (horário de Brasília), Israel negava ter chegado a um acordo. Os EUA diziam que ele poderia ser alcançado nos "próximos dias". Vivíamos o que chamo de horas sensíveis em que qualquer ataque com foguete do Hamas, reação israelense com bombardeio a Gaza, ou alguma declaração mais incendiária poderia fazer girar novamente a roda da insensatez do Oriente Médio. E acabar com qualquer otimismo. Pois bem, o atentado desta terça-feira rompe com essa sensação de que o fim do conflito - pelo menos deste conflito pontual - estaria próximo. E pode ser usado como argumento para justificar a temida invasão de Gaza. Trágica, mortal para os dois lados.

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