Durante toda a terça, dia da eleição, o presidente Barack Obama se cercou do que lhe era familiar e, à sua volta, os assessores se cercaram de esperanças de que, depois de todas as urnas fechadas, o primeiro presidente negro do país fizesse parte do seleto clube de líderes com dois mandatos.
Todos estavam nervosos, apesar de se dizerem convencidos da vitória. Os veteranos da campanha anterior – Robert Gibbs, Reggie Love, David Axelrod, David Plouffe (os dois últimos usando as jaquetas de lã Obama 2008) – se uniram ao grupo formado para a campanha atual, como Jay Carney, o secretário de imprensa da Casa Branca, e Jack Lew, o chefe do gabinete.
Mesmo demonstrando um otimismo cauteloso, a equipe irradiava um clima de figa, de superstição. Além de Carney, Jon Favreau, o redator de discursos de Obama, Ben Rhodes, assessor de segurança nacional, também parou de se barbear em nome da reeleição.
O presidente brincou com a aparência desleixada de sua equipe na noite de segunda em Columbus, Ohio, enquanto conversava com alguns correligionários, depois do comício, que usavam barba de Papai Noel: "Vocês também estão usando a 'barba da decisão', é? Um monte de gente da minha equipe também está, mas não tão grande quanto as suas."
Num dos principais rituais de campanha, Obama jogou basquete na terça porque acreditava que se não jogasse, não ganharia. Duas vezes na disputa das primárias contra Hillary Rodham Clinton, em 2008, ele deixou de bater bola no dias da votação ? e nas duas acabou perdendo.
— Não vamos mais cometer esse erro — diz Gibbs.
À 1h07, numa tarde gelada e úmida no Lago Michigan, Obama chegou à quadra do Attack Athletics, no centro da cidade. Entre os outros jogadores estava Love, seu antigo segurança e ex-jogador da Universidade de Duke; o ex-Chicago Bull Scottie Pippen; o Secretário da Educação Arne Duncan e um grupo de velhos amigos. Jogaram quatro tempos de doze minutos cada, com vitória do time de Obama, segundo Alexi Giannoulias, ex-candidato democrata ao Senado que, assim como Pippen, jogou na equipe vencedora.
Foi uma das raras escapadas dos repórteres, da empolgação da multidão e dos voluntários movidos a cafeína, uma chance para o presidente esquecer um pouco os eventos do dia.
Só que havia o trabalho de rotina da Casa Branca a fazer.
Teve que ligar para a Secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, o diretor do FEMA, W. Craig Fugate, e outras autoridades para discutir o trabalho de recuperação pós-Sandy.
A verdade, porém, é que na terça o fato de ser presidente ficou meio de lado, pois o que contava era a chance de continuar sendo presidente por mais quatro anos. Assim, além da partida de basquete e da teleconferência com o FEMA, Obama visitou o seu escritório político em Chicago.
— Oi, você é a Annie? Aqui é Barack Obama — disse Obama no celular enquanto tentava cumprimentar eleitores e voluntários.
Annie – de Wisconsin, segundo a campanha – ficou meio desconfiada.
— Aqui é Barack Obama. Aquele, o presidente, sabe? — repetiu.
Até que a conversa engrenou. "Ela foi muito gentil mesmo não sabendo logo de cara quem eu era", explicou depois de desligar.
À tarde, o público começou a se dirigir para o McCormick Place, o centro de convenções gigantesco onde Obama discursaria depois que o resultado saísse. A diferença de quatro anos atrás, quando 200 mil pessoas enfrentaram o frio em Grant Park, era notável.
Enquanto o lugar lotava, Obama jantou com a família na casa de Hyde Park, onde morava antes de se tornar presidente. Depois, foi para o Hotel Fairmont, no centro, acompanhar os resultados com a família e os amigos.
Poucas horas antes, o presidente confessou no programa de uma rádio do Colorado que tinha preparado dois discursos. No Fairmont, ele teve que esperar para saber qual dos dois iria fazer.
O otimismo supersticioso continuou até o momento – 22h12, hora local – em que a NBC deu a eleição como certa para Obama, quando os assessores, preocupados, tinham notado os primeiros sinais de vitória na Flórida num minuto e no outro começaram a se apavorar com a demora dos resultados de Ohio.
Entretanto, num instante tudo mudou. No Fairmont, onde seus assessores mais chegados aguardavam os resultados, alguns começaram a chorar de alegria e a se cumprimentar. O vice, Joe Biden, que tinha ficado a noite inteira ao telefone com os líderes do Congresso, saiu correndo de sua suíte, no andar de baixo, para abraçar o companheiro de chapa.
E o presidente se preparou para ir para McCormick Place, levando o discurso da vitória.









