Com a reeleição do presidente norte-americano, Barack Obama, deverá ser mantida a política externa do país em relação ao Brasil e ao restante da América Latina, segundo pesquisadores brasileiros que acompanham o assunto.
Veja mais:
Confira a cobertura completa no blog do Rodrigo Lopes
Saiba como foi a votação por Estado
GALERIA: as imagens da vitória de Obama
Os desafios de Obama, nos próximos quatro anos, concentram-se na busca pelo equilíbrio e por avanços econômicos, assim como a consolidação de ações na área social. O ponto de tensão deve ser o Oriente Médio, avaliam os pesquisadores.
Para os professores da Universidade de Brasília (UnB) Ricardo Caldas, do Instituto de Ciência Política, e Antônio Jorge Ramalho, do Instituto de Relações Internacionais, o Brasil e o restante da América Latina não estão entre as prioridades do presidente norte-americano.
Segundo eles, a preocupação do governo norte-americano em relação à região concentra-se em defender a estabilidade e o crescimento econômico incentivando maior liberalização.
Obama foi reeleito na terça-feira com 303 votos dos 538 nos principais colégios eleitorais do país. Reeleito com o lema de campanha "Four more years!" (em tradução livre: "Mais quatro anos!"), Obama disse ontem, ao discursar, que "o melhor está por vir".
Os pesquisadores brasileiros atribuem a vitória de Obama às medidas adotadas por ele na área social, como o plano de saúde para os norte-americanos, e ao empenho para conter os efeitos da crise econômica internacional, além do pragmatismo norte-americano. Tradicionalmente, a política norte-americana de guerras deverá ser mantida, segundo os professores.
— A questão está colocada principalmente na relação dos Estados Unidos com o Irã, se Obama vai partir para esforços em busca do diálogo ou vai escolher uma política de tensão. Se a segunda opção for feita, o resultado poderá ser catastrófico — disse Ramalho, ao lembrar que é fundamental observar as ações entre Israel e Irã cuja a ameaça de guerra é constante.
Para Caldas, no segundo mandato, Obama deverá dar continuidade às políticas que implementou de 2008 a 2012.
— Mas é importante ter em mente que a aprovação do Orçamento dos Estados Unidos, por exemplo, não está nas mãos do presidente e, sim, do Parlamento. No primeiro mandato, ele esbarrou em dificuldades — disse o professor, ao recordar que o Senado tem maioria do Partido Democrata, mas a Câmara de Representantes é dominada pelo Partido Republicano, que faz oposição ao governo.
Ramalho ressaltou que Obama “falhou” ao não dissociar de sua imagem várias dificuldades, enfrentadas no primeiro mandato, como o combate aos elevados índices de desemprego.
— Foi uma gestão difícil, embora ele (Obama) tenha se esforçado bastante. Mas havia uma série de aspectos, como os índices de desemprego e as dificuldades na economia, que vinham de uma herança de Bush (George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos).













