Entre os 82 milhões de membros do Partido Comunista da China, um foi capaz de galgar o topo da organização para ser coroado como o novo líder. Xi Jinping ascendeu na hierarquia do partido único e agora, após o 18º Congresso do PC, comandará o país e será o homem que o mundo tentará decifrar.
Entenda como funciona a transição de poder na China
Quem é a nova esfinge chinesa, que assumirá oficialmente a presidência em março do ano que vem, não está suficientemente claro. Pelas restrições à liberdade de imprensa na China, muitas informações sobre sua personalidade e até mesmo paradeiro ficam sem respostas. Em setembro, aquele que se tornou a figura pública mais importante do país passou duas semanas sem aparecer em público.
Tampouco declarações suas foram divulgadas, mesmo depois de ele desmarcar reuniões oficiais importantes — um encontro com a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, foi subitamente cancelado. Boatos sobre a saúde do homem apontado como o futuro presidente da segunda maior potência econômica do mundo se espalharam rapidamente, mas nada foi desmentido ou confirmado. Catorze dias depois, Xi apareceu sorrindo para estudantes em uma universidade de Pequim, mas longe da imprensa.
O mistério sobre seu paradeiro só não é maior do que o enigma sobre o que pensa. Apesar de ser o atual vice-presidente, pouco se sabe sobre suas ideias a respeito de economia internacional ou aquecimento global, por exemplo. Aos 59 anos, Xi é um líder que emerge das sombras do PC. Para os chineses, ele é mais lembrado por conta da mulher, Peng Liyuan uma cantora conhecida no país.
Embora tenha o DNA de um burocrata do partido, assim como o antecessor Hu Jintao, o futuro presidente tem, segundo aqueles que o conhecem, uma grande personalidade. O ex-secretário de Estado americano Henry
Kissinger, que operacionalizou a retomada de relações entre China e EUA durante o governo Richard Nixon nos anos 1970, afirma que Xi se impõe em negociações.
Família caiu em desgraça apesar de ser privilegiada
Enquanto a primeira viagem de Hu aos EUA foi feita em 2002, Xi tem conexões mais profundas com o país: esteve em terras americanas pela primeira vez em 1985 — e até já comentou gostar de filmes de guerra feitos por Hollywood. A única filha estuda em Harvard desde 2010, e acredita-se que tenha uma irmã morando no Canadá.
Como muitos dos atuais líderes do partido — os chamados aristocratas vermelhos —, Xi teve o privilégio de ser filho de um dos heróis da revolução comunista iniciada por Mao Tsé-tung. Contudo, provou do amargo da revolução cultural quando seu pai caiu em desgraça e, como punição, foi enviado para trabalhar em Shaanxi. O novo mandarim é, portanto, um produto bem acabado da máquina do partido único.












