Dois movimentos de sinais opostos emergiram nos primeiros quatro anos da Era Obama: o Tea Party e o Occupy Wall Street. O primeiro é um movimento direitista abrigado no Partido Republicano e nostálgico de um país ultraliberal em economia, conservador em política e puritano em cultura. O segundo é um composto de esquerdistas, sindicalistas e contestadores de todos os matizes que causou furor ao acampar numa praça de Manhattan. Irmãos inimigos, um e outro representam faces divergentes do mesmo país. Vale a pena investigar como se saíram nas urnas.
O Tea Party foi derrotado na eleição presidencial – Paul Ryan, vice de Mitt Romney, é claramente identificado com o grupo. Nas legislativas, perdeu muito do brilho conquistado em 2010, quando havia eleito 39 dos 60 novos deputados republicanos, na maior virada da história do partido. Desta vez, candidatos apoiados pelo Tea Party perderam em Indiana, Missouri, Wisconsin, Flórida e Illinois, entre outros. Em Minnesota, Michelle Bachmann, que chegou a disputar a indicação republicana à presidência, se reelegeu por uma margem tão estreita que haverá recontagem de votos. O Partido Republicano mantém o controle da Câmara, mas sua bancada caiu de 240 para 233 deputados.
O Occupy Wall Street, muito menos organizado, teve pelo menos uma de suas estrelas eleita: Elizabeth Warren, professora de direito em Harvard. Democrata de Massachusetts, ela disse sobre o Occupy: “Eu criei muito da base intelectual para o que eles estão fazendo”. A bandeira de igualdade de direitos, associada ao Occupy, avançou no Maine, em Minnesota e Maryland, onde os eleitores aprovaram o casamento gay, e em Wisconsin, onde Tammy Baldwin tornou-se a primeira homossexual assumida a ser eleita para o Senado americano.












