Opinião15/11/2012 | 02h00

Luiz Antônio Araujo: Barack Teflon

Protegido pela evidente simpatia da maior parte da imprensa americana, Obama conseguiu se dissociar do que foi uma evidente falha de segurança e prevenção

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Como Bill Clinton, o presidente Barack Obama tem se mostrado um mestre em virar a seu favor as situações mais adversas. Tome-se o exemplo do ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, o mais letal já realizado contra um alvo americano desde o 11 de Setembro.

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O atentado coincidiu com o 11º aniversário da derrubada das Torres Gêmeas. Grupos fundamentalistas radicalmente antiamericanos tiveram participação ativa na guerra civil que culminou na queda e morte do ditador líbio Muamar Kadafi e chegaram a ocupar postos no primeiro governo pós-revolucionário.

Finalmente, todo o Oriente Médio vive um momento de conflagração, como mostra a guerra civil na Síria e os protestos contra a monarquia da Jordânia. Erros de segurança e inteligência facilitaram a ação dos sequestradores de quatro aviões americanos usados como mísseis em 2001. É difícil imaginar que, passados 11 anos e num cenário mais crítico, o assalto ao consulado tenha sido um raio em céu azul.

Protegido pela evidente simpatia da maior parte da imprensa americana, Obama conseguiu se dissociar do que foi uma evidente falha de segurança e prevenção. Criou uma atmosfera na qual as críticas e questionamentos, oriundas dos republicanos, foram tratadas quase como votos de desconfiança na diplomacia americana.

A embaixadora na ONU, Susan Rice, que chegou a atribuir o ataque a manifestantes indignados com um filme anti-islâmico, está sendo cotada para suceder Hillary Clinton no Departamento de Estado.

Agora, questionado sobre o fato de não ter sido informado de que seu chefe de inteligência era investigado pela polícia, Obama vira a pergunta contra os repórteres e sugere que, se tivesse sabido, seria acusado de interferir nas apurações.

O raciocínio só é válido se for descartada, de antemão, uma terceira possibilidade: a de que Petraeus tivesse deixado o comando da CIA durante a campanha eleitoral. Não se sabe se tal gesto teria evitado o episódio de Benghazi. Mas afastar servidor sob investigação deveria ser algo natural num país que se dispõe a dar lições de democracia e respeito à lei.

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