Contra os superpoderes25/11/2012 | 19h24

Jovem morre em protestos no Egito

Pelo terceiro dia consecutivo, apoiadores e opositores a Mohamed Mursi entram em choque devido a decreto presidencial polêmico

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Jovem morre em protestos no Egito AFP/AFP
Manifestantes atiraram pedras contra a polícia na Praça Tahir neste domingo Foto: AFP / AFP
Um jovem islâmico morreu neste domingo, no terceiro dia de protestos contra a concentração de poderes do presidente egípcio, Mohamed Mursi.

Segundo testemunhas, a morte ocorreu durante um confronto entre partidários e opositores de Mursi, diante de um comitê da Irmandade Muçulmana na cidade de Damanhour, ao sul de Alexandria, informou à AFP um dirigente islâmico.

Cerca de 261 pessoas já ficaram feridas, sendo 128 policiais. Reflexos financeiros também foram sentidos na bolsa de valores egípcia, cujo índice EGX-30, que compreende Cairo e Alexandria, fechou em queda forte, de 9,54% diante da crise política.

Neste domingo, Mursi disse que os poderes especiais que assumiu por decreto são temporários, e convocou o país para um "diálogo democrático".

"A presidência reafirma a natureza temporária destas medidas, que são destinadas a concentrar os poderes (...) exatamente para se evitar qualquer tentativa de questionar ou acabar com as instituições eleitas democraticamente: a Câmara Alta do Parlamento e a Assembleia Constituinte", assinala o comunicado.

"Esta declaração é necessária para garantir que os culpados de corrupção e de outros crimes durante o regime precedente e no período de transição prestem contas".

Mursi é alvo de protestos desde que firmou a "declaração constitucional" de 22 novembro, na qual assumiu amplos poderes, tornando suas decisões inapeláveis na justiça.

O decreto de Mursi provocou a ira da oposição, que acusou o presidente de se comportar como um faraó e de ameaçar a independência do poder judiciário.

Diante das afirmações da presidência de que os poderes especiais de Mursi são temporários, os partidos e movimentos da oposição têm afirmado que "não existe ditadura temporária".

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