Conflito30/11/2012 | 14h25Atualizada em 30/11/2012 | 14h45

Israel autoriza construção de 3 mil casas em territórios ocupados

Jornal Haaretz diz que decisão de Netanyahu é uma resposta à iniciativa palestina na ONU

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Israel autoriza construção de 3 mil casas em territórios ocupados JAAFAR ASHTIYEH/AFP
Palestino joga pedras contra escavadeira israelense contra expropriações na Cisjordânia Foto: JAAFAR ASHTIYEH / AFP

Israel vai autorizar a construção de 3 mil novas casas em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, informou nesta sexta-feira um autoridade israelense, um dia após a aprovação do novo status da Palestina como Estado observador da ONU.

"É correto. Em Jerusalém e na Cisjordânia", confirmou este alto funcionário à AFP ao ser interrogado sobre a veracidade de uma mensagem no Twitter do correspondente diplomático do jornal israelense Haaretz.

"Segundo uma autoridade política, (o primeiro-ministro Benjamin) Netanyahu decidiu construir 3 mil novos alojamentos em Jerusalém Oriental e nas colônias da Cisjordânia, em resposta à iniciativa palestina na ONU", postou Barak Ravid em hebraico em sua conta no Twitter @BarakRavid.

Ravid afirma que algumas das novas residências deverão ser construídas na polêmica zona "E1", que liga Jerusalém Oriental à colônia de Maalé Adumim, na Cisjordânia.

"Apesar da promessa que fez ao presidente (americano Barack) Obama, o primeiro-ministro Netanyahu deu uma ordem para que sejam mantidas as construções na zona E1 entre Maalé Adumim e Jerusalém, o que vai isolar a parte norte da Cisjordânia de sua região meridional", ressalta ainda Ravid.

Israel pretende com este projeto criar uma ligação territorial entre Maalé Adumim (35 mil habitantes) e as colônias de Jerusalém Oriental, ocupada e anexada desde 1967. Ambas as regiões estão a cerca de 10 km de distância uma da outra.

Ele foi denunciado com veemência pelos palestinos por praticamente dividir em duas a Cisjordânia, comprometendo a viabilidade de um Estado palestino.

Israel já havia ameaçado os palestinos com represálias por sua tentativa de se tornar um Estado observador na ONU, aprovada na quinta-feira à noite.

No dia 12 de novembro, o movimento israelense anticolonização "Paz Agora" anunciou a existência de um projeto para quintuplicar o número alojamentos na colônia de Itamar, no norte da Cisjordânia.

Em novembro de 2011, após a concessão do status de membro da Unesco à Palestina, Israel também acelerou a construção nas colônias da Cisjordânia ocupada.

A Assembleia Geral das Nações Unidas concedeu nesta quinta-feira o status de Estado observador à Palestina, em uma importante vitória diplomática do presidente Mahmud Abbas contra a posição de Estados Unidos e Israel. Do total de 188 membros da Assembleia Geral da ONU que votaram, 138 aprovaram o novo status, 9 rejeitaram e 41 se abstiveram.

Este novo status internacional constitui uma grande vitória diplomática, mas expõe as autoridades palestinas a represálias econômicas por parte de Estados Unidos e Israel.

— A decisão equivocada e contraproducente cria mais obstáculos no caminho da paz. Por este motivo, os Estados Unidos votaram contra. O povo palestino despertará amanhã vendo que pouco mudou em suas vidas, exceto pela redução das perspectivas de uma paz duradoura — destacou a diplomata americana na ONU, Susan Rice.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, condenou severamente o discurso pronunciado pelo presidente palestino, Mahmud Abbas, que precedeu a decisão da Assembleia Geral.

 

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