"Apesar de tudo"04/11/2012 | 18h51

Com maratona cancelada, milhares correm em Nova York por caridade a vítimas da tempestade Sandy

Alguns atletas, principalmente estrangeiros, lamentaram perder a corrida que reúne mais de 40 mil corredores anualmente

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Com maratona cancelada, milhares correm em Nova York por caridade a vítimas da tempestade Sandy  Michael HEIMAN/GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Mobilização para a corrida contou com apoio de mídias sociais para reunir atletas Foto: Michael HEIMAN / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Após o cancelamento de última hora da tradicional maratona de Nova York, eixo de uma forte polêmica com a passagem da supertempestade Sandy pela cidade, milhares de pessoas saíram para correr neste domingo a favor de obras de caridade ou para ajudar os afetados pela supertempestade.

Milhares de corredores se encontraram no Central Park, muitos exibindo com orgulho e um pouco de decepção a camiseta oficial da maratona cancelada na sexta-feira à tarde pela prefeitura. Lugar simbólico onde anualmente 47 mil pessoas do mundo inteiro cruzam a linha de chegada após percorrer 42,195 quilômetros pelas ruas de Nova York, desta vez o Central Park foi usado como ponto de partida de dezenas de corridas organizadas com a ajuda das redes sociais.

— É um ponto de encontro natural — disse Lance Svendsend, coorganizador da "Maratona 2012 Apesar de Tudo" (Run Anyway Marathon).

Depois que o prefeito Michael Bloomberg se viu obrigado a cancelar a maratona devido a críticas daqueles que consideravam manter o evento uma afronta às vítimas da tempestade, Svendsend, morador da vizinha Nova Jersey (leste), recebeu a mensagem de um amigo propondo-lhe correr de qualquer forma. Minutos depois, tinha sido criada uma página no Facebook com mais de 2 mil membros.

Para Svendsend, era um desafio tanto esportivo, quanto moral:

— Não é mais uma corrida, é sair para correr 42 quilômetros — disse, afirmando que o objetivo era "fazer" os quilômetros prometidos àqueles que deram dinheiro aos maratonistas para obras de caridade, uma tradição.

— Arrecadei quase 4 mil dólares na Austrália para a luta contra o câncer. Tinha que correr — afirmou Elise Hinson, vinda de Sidney.

— Cinco, quatro, três, dois, um... Siiiiim! — gritaram, em coro, as pessoas que foram correr, às centenas, sob um céu azul e aplaudidas por um público entusiasmado.

No entanto, alguns sorrisos escondiam a decepção pelo cancelamento da maratona. Christophe Pujade, francês de 39 anos, estava à beira das lágrimas.

— É uma ilusão que desmorona. A maratona de Nova York é o sonho de todo maratonista — afirmou.

Se milhares escolheram correr, outros preferiram reprogramar seu domingo para participar de atividades de ajuda às vítimas de Sandy. Centenas de pessoas com esta intenção se reuniram em Staten Island, ilha ao sul de Manhattan muito afetada pela tempestade, para ajudar nos trabalhos de reconstrução e distribuição de roupas e provisões. Outros cederam seus quartos de hotel e ofereceram dinheiro a pessoas que perderam as casas ou continuavam sem eletricidade seis dias depois da passagem de Sandy pela cidade.

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