Prestação de contas25/01/2012 | 01h36

Em discurso, Obama promete proteger a classe média da ameaça de desigualdade econômica

Presidente americano falou ao Congresso no tradicional pronunciamento do Estado da União

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Em discurso, Obama promete proteger a classe média da ameaça de desigualdade econômica Win McNamee/GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Discurso de Barack Obama no Capitólio durou mais de uma hora na noite de terça-feira Foto: Win McNamee / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP

Quatro anos depois do slogan "Yes, we can", o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, tenta convencer os americanos de que pode mais uma vez. No tradicional discurso do Estado da União — pronunciamento anual para prestar contas e sinalizar o que o governo deve submeter ao Congresso — Obama prometeu proteger a classe média da ameaça da desigualdade econômica.

Por ser ano eleitoral, inevitavelmente, o discurso, que começou às 21h de terça-feira em Washington (0h desta quarta em Brasília), assumiu um tom governamental e político. O próprio tema da fala do presidente americano já continha doses de um novo slogan: "uma economia feita para durar".

Blog do Rodrigo Lopes:
Confira o discurso completo de Barack Obama (em inglês)
Obama tenta capitalizar principal vitória de seu governo: matar Bin Laden


É uma forma de lançar a sua agenda estratégica, na qual o "trabalho duro compensa e a responsabilidade é recompensada", e de se fortalecer em um momento em que apenas os pré-candidatos republicanos dominam os debates.

— É a hora de aplicar as mesmas regras tanto para os cima quanto para os de baixo: nem planos de resgate nem dádivas, nem escapatórias. Um país que perdure necessita que cada um assuma suas responsabilidades — disse o presidente.

Fortalecimento

O presidente americano disse que os Estados Unidos "se fortalecem" e defendeu suas políticas de governo ao afirmar que "avançamos demais para dar marcha ré agora".

— Enquanto for presidente, trabalharei com qualquer um desta Câmara para construir — afirmou Obama, evocando as batalhas partidárias que marcaram sua presidência.

Os Estados Unidos "se fortalecem", disse o presidente em seu discurso diante das duas câmaras do Congresso. Completou que pretende "lutar contra a obstrução com ação", e se opor "a qualquer esforço para retornar às mesmas políticas que provocaram, em primeiro lugar, esta crise econômica".

— Não retornaremos a uma economia fragilizada pela externalização, a dívida ruim, os falsos ganhos financeiros — afirmou.

Obama chegou à Casa Branca em janeiro de 2009 em meio à pior crise econômica em várias décadas, e em seu discurso de terça-feira prometeu reconstruir a economia americana com ênfase na "indústria americana, a energia americana, as capacidades para os trabalhadores americanos e uma renovação dos valores americanos".

Questão nuclear no Irã

Obama afirmou que uma resolução pacífica "ainda é possível" sobre o controverso programa nuclear iraniano.

— Que não fique dúvida alguma de que os Estados Unidos estão decididos a impedir que o Irã desenvolva armas nucleares. Não descartaremos nenhuma opção disponível para conseguir esse objetivo. Mas ainda é possível chegar a uma resolução pacífica sobre esse problema — disse.

— Se o Irã mudar de rumo e cumprir suas obrigações, pode se reincorporar na comunidade de nações.

"Graças ao poder de nossa diplomacia", o mundo superou suas divisões e está agora unido em torno da necessidade de deter as ambições nucleares do Irã, afirmou o presidente.

— O regime está mais isolado do que nunca; seus líderes enfrentam sanções asfixiantes. Essa pressão não cederá enquanto o regime não assumir suas responsabilidades — completou.

Estados Unidos e União Europeia aumentaram suas sanções contra o setor petroleiro e bancário do Irã, em um esforço por forçar Teerã em deter o enriquecimento de urânio, que temem ter como objetivo dotar-se de uma arma nuclear. O Irã insiste que seu programa nuclear é pacífico.

Primavera árabe

O presidente elogiou a "incrível transformação" impulsionada pela Primavera Árabe e prometeu que seu país apoiará a democracia "contra a violência e a intimidação".

— Ainda não sabemos como terminará essa incrível transformação. Vamos impulsionar políticas que conduzam a democracias fortes e estáveis e a mercados abertos, porque a tirania não é páreo para a liberdade — afirmou.

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