Nossos filhos14/12/2013 | 08h05

Tânia Rohde Maia: "Febrefobia", ansiedade de muitos pais

Mais importante do que o tratamento da febre é conhecer a sua causa

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Tânia Rohde Maia

taniarohdemaia@gmail.com

A febre é uma das razões frequentes para consulta pediátrica por ser o sintoma mais comum de doença em crianças. A temperatura do corpo é controlada pelo centro termorregulador na zona central do cérebro. Este é capaz de manter uma temperatura corporal relativamente constante em ambientes com temperatura amena. A média normal é geralmente considerada como 36,5°C, com limite superior de 37,5°C. A temperatura corporal varia com idade, momento do dia, nível de atividade física, fase do ciclo menstrual, entre outros fatores. Bebês e crianças pequenas geralmente têm temperatura mais alta do que as maiores e os adultos. Para medir, usamos termômetro digital, nas axilas.

A febre é uma elevação anormal da temperatura corporal que acontece como parte de uma resposta fisiológica benéfica para o controle de muitas doenças infecciosas. Sabe-se que as reações de defesa funcionam melhor em temperatura mais elevada. A maioria dos casos de febre nos pacientes pediátricos é causada por infecções virais autolimitadas. No entanto, é importante a avaliação médica para descartar outras causas de infecção graves, que são mais frequentes e de maior risco quanto menor a idade da criança. No geral, as crianças com menos de três anos merecem vigilância mais intensiva, e os menores de três meses, consulta imediata para esclarecer a causa.

A febre é um sinalizador útil, mas também evoca medo a ponto de originar o termo "febrefobia", usado para descrever a ansiedade dos pais frente ao filho febril. Em estudo recente, 91% dos cuidadores temiam efeitos prejudiciais relacionados com a febre. Destes, 7% acharam que a temperatura ficaria cada vez mais alta se não tratada. A maioria dos pais teme a possibilidade de convulsões e dano cerebral. Na realidade, a elevação em geral não ultrapassa 41,5°C, nível que não causa lesão neurológica. Menos frequentemente a febre pode acompanhar outras patologias que não têm relação com infecção, o que também reforça a necessidade de investigar a causa.

O controle da febre deve levar em consideração principalmente o desconforto demonstrado pela criança, e não um limite numérico. Vários medicamentos estão disponíveis para o tratamento da febre, e a escolha do esquema a ser utilizado será individualizada por idade e situação de cada criança. O uso inadequado pode trazer complicações graves. Consulte seu pediatra e não esqueça: mais importante do que tratar a febre é conhecer a sua causa.

Pontos importantes:

> A febre não é uma doença, mas uma resposta fisiológica.

> A erupção dentária não causa febre acima de 38°C.

> A medicação para controle da febre visa ao conforto, e não à "normalização da temperatura".

> Em crianças saudáveis, a maior parte das febres são autolimitadas e benignas.

> Ofereça líquidos com frequência durante o episódio febril.

> Garanta o armazenamento seguro dos medicamentos.

Atenção
Se além da febre, a criança for menor de três meses, apresentar choro inconsolável ou estar gemendo e parecer "muito doente", procure um médico

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