Vestibular14/01/2013 | 22h25

Rosane de Oliveira: Ler para escrever melhor

Colunista relata experiências que tem vivido em seus dias de "mãe de vestibulanda" da UFRGS

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Flagrei uma luz acesa no quarto da Luiza, às 2h da manhã. Preocupada porque afinal ela precisava acordar cedo, entrei e encontrei a mocinha sentada na cama, lendo um livro de 574 páginas. Reviravolta no desinteresse pelo vestibular da UFRGS? Não. A leitura do momento não é um compêndio de gramática, dicas para uma boa redação ou qualquer coisa que passe perto do vestibular. É The Mark of Athena, de Rick Riordan, um autor do qual ela já leu tudo o que foi publicado em português e agora corre atrás do que ainda não tem tradução. Thank you, Mr. Riordan, por suas aulas de mitologia grega, capazes de competir com a onipresença da internet.

Não sei se este último Rick Riordan deu alguma contribuição específica para a redação da UFRGS, mas tenho certeza de que ninguém escreve bem sem ler. Luiza achou a prova de redação "facílima". Escreveu 49 linhas de um texto que deveria ter entre 30 e 50. Para abordar a função e os limites do humor na sociedade, conta que citou Charles Chaplin e sua crítica ao nazismo, Walt Disney, com o desenho em que Pato Donald tem um pesadelo e pensa que faz parte do exército de Hitler, e até o episódio Rafinha Bastos versus Wanessa Camargo. Revisou três vezes para ter certeza de que não faltavam acentos nem sobravam vírgulas, passou a limpo com caligrafia caprichada e... esqueceu de colocar o título, mas isso ela só descobriu em casa.

Exagerada, concluiu que sua redação perfeita seria desclassificada por não ter título. Fiz uma rápida pesquisa e constatei que a falta de título resulta em perda de pontos, sim, mas não zera a redação. Numa rápida troca de mensagens com os colegas, via Facebook, a constatação de que não estava sozinha: outros também esqueceram o título.

Partimos para a conferência do gabarito das provas de ontem, cantando as letras em voz alta, como num jogo de bingo. Primeiro a de inglês, para começar pelas boas notícias: acertou 24 de 25, mas jura que na questão 55 o errado era o gabarito, não ela. Nada mau para uma prova em que a média de acertos foi 11,8. Depois, literatura: 15 acertos em 25, para uma média de 10,9 Acertou uma e errou outra das questões sobre Gregório de Matos. Por fim, o bicho-papão: sete acertos em 25 de Física, em que a média foi 8,5.

Se eu estivesse fazendo vestibular, este segundo seria o melhor dos dias, por incluir a redação e a prova objetiva de língua portuguesa no mesmo pacote. Gosto tanto que, se passar uma prova diante de mim, respondo às perguntas como quem faz palavras cruzadas. Minha filha não chega a tanto, mas também prefere as letras aos números e às fórmulas.

Redação da UFRGS levanta o debate: há limites para o humor?
Confira o gabarito da prova de português

Em vídeo, professora comenta prova de Redação da UFRGS:

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