Uma prova de literatura com menos foco na interpretação e mais atenção às leituras obrigatórias marcou o primeiro dia de vestibular da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A avaliação, que surpreendeu os alunos no ano passado, voltou, de acordo com o professor Pedro Gonzaga, do Grupo Unificado, ao seu formato tradicional.
Confira o gabarito das provas realizadas neste domingo
Em 2012, a prova foi considerada difícil e diferente das anteriores, por isso a expectativa em relação ao o que ocorreria neste ano. Além das perguntas sobre leituras obrigatórias, autores que estão no programa, como Erico Verissimo e Dyonélio Machado, estiveram presentes.
— Houve uma melhora significativa em relação a de 2012. Esta foi uma prova de nível médio, que, de maneira geral, ficou centrada em elementos dos enredos das histórias. Quem leu os livros teve facilidade em responder as questões — comentou Gonzaga.
O gaúcho Caio Fernando Abreu, tema de uma questão, foi assunto nas mídias sociais. Nelson Rodrigues e o teatro contemporâneo também apareceram na avaliação. Um dos pontos mais saudados desta edição, segundo Gonzaga, foram as questões relacionando temas de leituras obrigatórias com livros do programa da UFRGS, como O Tempo e o Vento, de Erico Verissimo, e Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto.
Na física, outra avaliação deste primeiro dia, houve menos novidade. Para Enio Kaufmann, professor de física do Grupo Unificado, a prova manteve o centro em fenômenos físicos e não em cálculos, mas pecou em três questões que "lembravam o velho ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio)".
No restante, o professor de física entende que a avaliação foi um pouco mais difícil que a do ano passado, mantendo o modelo exemplar do teste.
— Lamento que a universidade tenha feito questões deste tipo. Houve uma com texto de página inteira, que exigia longa leitura para, ao fim, cobrar apenas o nome de uma lei da física, sem questionar o raciocínio — explica Kaufmann.
A terceira prova da manhã foi língua estrangeira moderna. As duas principais, de Inglês e Espanhol, não apresentaram novidades em relação as anteriores. Bem elaborada, padrão UFRGS, para o professor Fábio Vasques, do Grupo Unificado, a prova foi um pouco mais difícil que a do ano passado.
— Uma questão só nos pareceu atípica. A 57, sobre plural e concordância, apresentou um modelo não utilizado frequentemente, com enunciado difícil de interpretar. Os alunos comentaram que os textos desta edição estavam mais densos que das anteriores — afirmou Vasques.
Já para Carlos del Castillo, professor de Espanhol do Grupo Unificado, a prova composta por um poema do uruguaio Mario Benedetti, um texto sobre a demora na emancipação dos jovens espanhóis e outro a respeito do calendário maia e o fim do mundo pode ser considerada mais fácil que a do ano passado.
— Quem estudou com base em questões de edições anteriores não se surpreendeu. Perguntaram sobre os mesmos temas de gramática e vocabulário, que compõem a maior parte da prova — afirma Castillo.
Vestibulanda de Políticas Públicas, Thamires Marchetti, 18 anos, aprovou o novo modelo de literatura. Para ela, também as provas de física e de inglês foram consideradas acessíveis para quem estudou.
Guilherme Ribeiro Gregório, 20 anos, candidato a uma vaga de Medicina pela terceira vez, também acredita que o primeiro dia de prova privilegiou os alunos que se dedicaram durante o ano.
Para Arthur Gomes, 19 anos, que fez a prova de espanhol, o primeiro texto apresentou um vocabulário difícil devido ao viés literário e os demais estavam dentro do esperado.
O listão dos aprovados deve ser divulgado na sexta-feira, dia 25 de janeiro. Este ano, 180 avaliadores vão corrigir as provas de redação.













