Realidade e estereótipo18/07/2012 | 10h26

Carreira na área de dança oferece possibilidades além da vida de bailarino

Com mercado em crescimento, licenciados têm mais opções de trabalho

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Carreira na área de dança oferece possibilidades além da vida de bailarino Diego Vara/Agencia RBS
Licenciaturas em Dança formam profissionais como Luciana Paludo, que desempenha as funções de professora, pesquisadora e coreógrafa Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Na cabeça de muita gente, dançar não é profissão, mas hobby. No imaginário popular, os bailarinos ainda carregam muitos clichês reforçados por personagens de filmes que, para quem realmente vive de dançar, foram ultrapassados há séculos.

O mercado tem crescido para os licenciados em Dança. Há alguns anos, os concursos públicos para a Educação Básica passaram a oferecer vagas para professores de Dança, dentro das aulas de Artes. As graduações também se proliferaram.

Com o auxílio das professoras Alexandra Dias, do curso de Dança da UFPel, e Luciana Paludo, da UFRGS, alguns estereótipos são desvendados. Confira abaixo o que é mito e o que é verdade sobre o curso e a profissão.

Verdades

> Bailarinos usam polainas para dançar

Tanto as polainas quanto as mantas são bastante utilizadas por quem dança. Isso porque, aquecendo o tornozelo e o pescoço, o resto do corpo também esquenta com facilidade.

> É preciso se exercitar todos os dias e isso pode causar dores

Para alcançar precisão nos movimentos, é fundamental exercitar-se todos os dias. Na rotina de Luciana, estão três horas diárias de alongamentos e exercícios. O excesso de atividade pode deixar o corpo dolorido, como ocorre com os atletas. Mas isso não é regra:

— Se eu conheço o funcionamento do meu corpo, eu tenho mais probabilidade de alcançar uma eficácia no movimento que faço — pondera.

Estereótipos

> Bailarinos profissionais dançam em grandes companhias

Isso é apenas um segmento do mercado da dança. As licenciaturas formam profissionais capazes de lecionar em escolas de Ensino Fundamental, de atuar na área de gestão cultural ou, ainda, de se tornarem pesquisadores.

> Há uma grande competição entre os bailarinos

A competição que existe neste mercado não parece diferente das demais profissões, na opinião de Luciana Paludo. Para ela, há bailarinos muito preocupados com o ego, mas isso não é regra.

> É preciso usar sempre roupas cor-de-rosa para dançar

O figurino não é uma fantasia, ele auxilia no processo de interpretação durante a dança. Para Luciana, a questão da cor rosa está ligada à tradição e ao desejo das mães de verem as filhas vestidas de bailarinas. Para quem trabalha com isso, o rosa não é fundamental.

> O balé clássico é base para todos os gêneros de dança

Não necessariamente. Ele faz com que o bailarino tenha estrutura física, mas não possibilita que execute todos os tipos de movimentos.

> Vou entrar no curso para aprender a dançar vários ritmos

Não. De acordo com a professora Alexandra Dias, que coordenou o curso da UFPel de dezembro de 2010 a junho de 2012, as licenciaturas em Dança, em sua maioria, são focadas na formação de um professor.

Na graduação, existem aulas, de nível básico, em diferentes ritmos, mas o objetivo não é tornar o aluno um excelente bailarino. Por isso mesmo, muitas universidades não fazem prova específica.

— Muitos alunos pensam que o curso é como frequentar uma academia de dança todos os dias. Não é. Temos muitas atividades teóricas — reforça Alexandra.

> A profissão de bailarino tem uma vida útil muito curta

Para essa questão, Luciana Paludo é bem objetiva:

— Quem não cuida do corpo terá mesmo pouco tempo de profissão.

Para isso, é preciso muito exercício e conhecer o corpo. Ana Botafogo e Cecília Kerche são exemplos disso.

> Trabalhar com dança é se divertir durante todo o tempo

— Amo o que faço, mas vivo uma rotina. Nem sempre estou radiante em um ensaio — comenta Luciana.

O cotidiano de um bailarino é como o da maioria da profissões. Pode ser alegre ou desgastante, depende do dia.

Áreas possíveis para um licenciado em Dança

Professor em colégios de Ensino Fundamental e Médio

Coreógrafo: é aquele que cria e desenvolve as coreografias que vão para o palco

Ensaiador: pessoa responsável por coordenar os ensaios de um determinado espetáculo

Produtor cultural na área de dança

Professor em escolas ou academias de dança

Pesquisador

Há quem se especialize em questões ainda mais pontuais que compõem um espetáculo de dança como iluminação, figurino e cenário.

Confira algumas disciplinas presentes no currículo do curso da UFRGS

Anatomia Humana

Fisiologia

Música e Ritmo

Expressão e Movimento

Filosofia da Educação

Danças Folclóricas Gaúchas

Desenvolvimento Motor

Dança Clássica

Linguagem Visual do Teatro

Iluminação

Produção Cênica

Gestão e Projetos em Dança

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