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Diversão na praia07/02/2013 | 06h04

Torneio reúne jogadores de bocha em praça de Capão da Canoa

A maioria dos participantes são aposentados moradores de 12 condomínios adjacentes à praça, mantida com uma mensalidade de R$ 5

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Torneio reúne jogadores de bocha em praça de Capão da Canoa Félix Zucco/Agencia RBS
Treze trios participam de campeonato da associação que começou em dezembro e se estende por todo o veraneio Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Foi com extrema perícia que Osmar Braga Pereira, 73 anos, executou o tiro, jogada mais espetacular da bocha. Dezenas de membros da Associação da Praça Flavio Boianowski, em Capão da Canoa, ergueram os braços, aos urros, em comemoração ao lance. Era mais um torneio organizado pela entidade, um grupo que há 12 anos reúne os mais ávidos jogadores de bocha da cidade.

Braga, o Braguinha, é o Pelé entre os 13 trios que participam do campeonato. Ele é um batedor. O batedor é o último do time a jogar. Sua destreza entra em ação quando o rumo da partida está praticamente definido. É a posição reservada para os melhores, para aqueles que podem reverter um placar com um movimento solitário. Então, ele fixa os olhos no aglomerado de bolas que cercam o bolim. Canhoto, ergue o braço para trás enquanto se encaminha, dá vários passos até quase o meio da cancha e levanta a bocha. Ela voa e atinge o alvo, com plástica e violência únicas no jogo.

Os torneios da associação se prolongam desde dezembro, quando começou o veraneio. A maioria no evento é de aposentados moradores de 12 condomínios adjacentes à praça, mantida com uma mensalidade de R$ 5 de cada apartamento participante, segundo o presidente da entidade, Nelson Maidana Boeira. A bocha é o centro dos interesses e sua cancha ocupa um espaço nobre na praça. Nos dias de jogos, ela pulsa como o coração da comunidade.

Jogo imprevisível, a bocha premia os humildes. Em uma emocionante rodada na segunda-feira, a prepotência fulminou uma equipe. O placar era um arrasador 9 a 4, e os líderes tinham a posse da bola. A confiança transbordava.

— Vamos ganhar como se mata um pombo, na bochada — disse um integrante da equipe que vencia a partida.

A declaração pretensiosa mudou o comportamento da torcida. Ela se posicionou contra os que estavam vencendo. Desastrosamente, eles perderam a jogada. Humilhados, os rivais enfrentaram a desvantagem. Ao final, venceram.

O dia em que o Pelé da bocha foi afrontado

A competição deve se prolongar até o final do veraneio. O vencedor é o que faz 10 pontos primeiro, pontuação reduzida dos 12 e 15 pontos mais comumente usados. A explicação para a redução é que a mulher de algum dos jogadores pode aparecer com a lista do súper, e aí não é bom que a partida se prolongue demais.

Tirando a interferência externa, a disputa mais encrespada é dos egos dos jogadores. Em um momento de desabafo, Clóvis Campos, 77 anos, se impôs.

— A partida estava nove a nove e ganhamos com o meu ponto. Não tem nenhum outro — disse.

Não tem nenhum outro. Isso significava que ele era O MELHOR. Ele prezava suas medalhas, ganhas em torneios anteriores, nos quais havia vencido com astúcia e força. Era o melhor. ERA PELÉ. E saiu, Campos simplesmente foi embora após aquela declaração.

Um bolinho se formou no canto da cancha sentido Estrada do Mar quando o burburinho alcançou determinados ouvidos — os mais surdos, obviamente, ficaram de fora. Ninguém, naquele bolinho, acreditava nas palavras proferidas por Campos.

— O Campos disse isso?

— Mas ele está louco, por que ele disse isso?

— Sim, ele disse.

— O Campos?

— O Campos disse. Ele está louco. O melhor daqui é o Braguinha.

Então o Braguinha terminou sua jogada. Se aproximou enquanto seguia a discussão alucinada sobre o Campos. Quiseram todos saber o que ele achava daquela declaração espalhafatosa de que o Campos era o melhor de todos. Braguinha ajeitou o chapéu e abriu um sorriso tímido. Meio sem jeito, falou:

— É ele que está dizendo. É diferente. Ele joga ponta. Eu sou batedor.

O JOGO

> Na Praça Flavio Boianowski, a bocha é jogada por quatro equipes com três jogadores cada uma

> Cada integrante de equipe joga duas bolas

> Vence quem consegue lançar sua bocha (a bola maior) de modo que ela fique o mais próximo possível da bola menor, o bochinho ou bolim, o que rende um ponto

> As partidas duram cerca de uma hora, e vence quem chegar a 10 pontos

> Só acontece empate quando bolas das duas equipes ficam na mesma distância, que é medida por meio de uma régua

A EQUIPE

> Ponteiro: o que joga a primeira bola, no caso, o bolim. Ele é importante porque, se conhecer bem o adversário, saberá se ele joga melhor com o bochinho próximo ou distante, no meio ou junto à tabela, e tentará posicionar o bolim justamente na posição contrária

> Meio: o segundo a jogar

> Batedor: o último a jogar. Normalmente, é o melhor jogador e pode resolver a partida com um só lance

AS JOGADAS

> Tiro: quando a bocha é jogada sem tocar o chão, normalmente pelo batedor, quando todas as bochas já estão na cancha cercando o bochinho

> Curta: expressão usada quando a jogada acaba com a bocha ficando muito longe do bochinho

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