Há um desespero que se inicia nos primeiros dias de outubro. Um sentimento coletivo que eleva ansiedade e desperta sensações diversas no humano brasileiro. Principalmente aquele que tem estações diversas. Aquele que rotação e translação realmente afetam o corpo. Essa preparação, essa espera é sentida por setores diversos no Rio Grande do Sul. Pois pensamentos "outubrinos" já desenvolvem ideias a serem usadas na parte do ano mais desejada por 78,63% da população: o verão.
"Mê dê motivos", canta Tim Maia. Sim. Alguns escreverei. Calor. A sensação de sentir o mormaço, de preparar o corpo para receber uma nova cor, mudar o layout — principalmente entre as fêmeas. O calor do verão muda a publicidade que começa a usar desenhos de artefatos praianos em suas páginas de jornal e revistas. Há uma repetição anual de artefatos que lembram a estação calorenta justamente para meter na cabeça do povo — como se precisasse — que o verão é mar e praia. E que a água salgada vai dar uma vontade de gastar mais dinheiro em produtos. De carros a apartamentos. "Tá 35 graus celsius. Vou ali comprar um 44 metros quadrados".
A alegria. Se defendes que és mais feliz nas geadas de junho, serás banido da sociedade. É crasso argumento em mesa de bar entre parceiros. É humanamente errado se sentir melhor no frio. Foi imposto por alguém muito inteligente e esperto que o verão é a estação para sentir vontade de rir. Mostrar os dentes mais vezes ao dia é imposição dele. As músicas de janeiro e fevereiro falam amenidades. Paixões de verão são amenas. Tudo é mais tranquilo. Mais light. Nada de responsabilidades maiores porque é a estação da festa, das férias, do calor e, por tudo isso, cale-se com esse seu inverno tenebroso. A água gelada, a temperatura da cerveja, o biquíni, o óculos de sol, o bagageiro grande, o bodyboard, a cadeira de abrir, o fator 30, o zero gordura trans, a maresia. Tudo tão importante. Hoje, tudo tão supérfluo.
Porque o verão dura quatro meses. Igualzinho aos outros três parceiros de outros tempos do ano. Ele começa antes, sabemos. Sorrateiramente afana da primavera alguns dias. Furta do outono algumas semanas. O verão é o fanfarrão, o amigo espraiado e espaçoso. Mas o da temporada 2012/2013 acabou domingo passado. Da forma mais estúpida depois que esse Estado parou de guerrear com a antiga União em séculos d'outrora. Santa Maria viu o fim do verão. Da alegria, da leveza, da felicidade. E de lá esse fim se espalhou em um corrente de tristeza rápida e densa. Finaram o verão desse ano. Com culpas humanas. Nada de fatalidade. Como na pele de um bicho, fomos marcados com o ferro quente que arde e eternamente fica. Um crime. Mataram nossa alegria. Acabaram com nosso verão.












