Versão mobile

Personagens da praia12/02/2013 | 06h01

O homem que atravessa a orla atrás de objetos valiosos perdidos

Enviar para um amigo
O homem que atravessa a orla atrás de objetos valiosos perdidos Félix Zucco/Agencia RBS
Silva já encontrou até anel de prata, mas enche o bolso mesmo é de tampinhas, moedas e lacres. Ele não ganha para fazer a coleta, que considera um hobbie para os intervalos do trabalho como fundidor Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

A areia das praias gaúchas poderia valer ouro, uma vez rendeu prata, mas normalmente dela não se tira mais do que latão. Com um detector de metais em mãos, Celso Carlos Souza da Silva, 46 anos, atravessa a orla atrás de objetos valiosos perdidos, e normalmente depara com um mar de tampinhas de garrafa e lacres de latinhas de alumínio, para seu total desgosto. Como consolação, ele é a principal atração por onde passa com sua geringonça.

Na manhã do último domingo, Silva sondava a areia de Capão da Canoa. Trajando camisa e calça social, com fones nos ouvidos, parecia um trabalhador fazendo seu serviço. Mas ele não ganha salário. A busca por itens de metal na praia é um hobbie.

Por ser fundidor, Silva tem bons conhecimentos sobre metais. Assim, exultou ao encontrar um anel naquela manhã. Um curioso que estava nas redondezas se aproximou. Silva mostrou-lhe a joia.

— Olha o que eu achei. Um anel de prata. Várias pessoas perdem aliança e anéis porque o dedo murcha na água. Mas não vem dizer que é teu.

— Meu, não, mas da minha irmã, sim — disse o veranista curioso.

— Então me traz a nota.

— Tá. Eu vou ali fazer uma — brincou o veranista.

O fundidor sorriu e se compenetrou novamente na função. O aparelho bipou e, com um ancinho, escavou a areia. Encontrou mais uma tampinha. Ele costuma encher os bolsos com o que descobre, prestando um serviço de limpeza fina na areia das praias por onde passa. Porém, naquele momento os bolsos já se achavam recheados com tampinhas, moedas, lacres e, claro, o anel. Silva estava meio irritado e lançou a tampinha longe.

— Esse meu detector custou R$ 500. Ele encontra metais a 30 centímetros da superfície, no máximo. Quero comprar um melhor, que vai mais fundo e tem bipes próprios para ouro, prata e outros. Esses mais profissionais custam uns R$ 3 mil — relatou.

Silva garante que, se um interessado prova que o objeto encontrado é seu, ele devolve. Até então, ninguém reivindicara o anel, que o fundidor garantia ser de prata. Tratava-se do item mais valioso encontrado por Silva desde o início de suas peregrinações pelas praias atrás de tesouros soterrados, há cerca de seis meses. Foi quando criou uma certa rotina de deixar sua casa em Sapucaia do Sul e ir ao Litoral durante as folgas na fundição.

Só que naquele final de manhã, ele mal conseguia dar prosseguimento à busca. Em um momento de nova interrupção, se viu cercado de curiosos. Reclamou que mais dava explicação do que manuseava seu detector. Uma senhora fez a pergunta que Silva mais ouve:

— O que tu procuras aqui?

— UMA BOMBA QUE O BIN LADEN ENTERROU AQUI!

— Não tem o que fazer — reclamou a mulher.

Silva estava mesmo irritado. Tentou se desvencilhar dos curiosos. Acelerou os passos e escapou. Seguiu adiante, outra vez concentrado, e o equipamento bipou. Com rapidez, Silva começou a escavar com o ancinho e localizou o material. Ergueu-o com o olhar da vitória. Tinha recuperado o bom humor.

— Olha o que eu achei! Olha o que eu achei!

Suspense.

— Uma colher!

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga ZH no Verão no Twitter

Imprimir
clicRBS
Nova busca - outros