Cabelos loiros que brilham a cada reflexo de luz, pele dourada sapecada pelo sol e olhos azuis ressaltados pelo bronzeado. Na areia, desfila com um biquíni preto, um short colorido e sua fiel companheira: a prancha. Em poucos minutos ela está em alto-mar e, da areia, surge apenas como um pontinho no meio da água. Aos 15 anos, Mariana de Bortoli não teme o mar frio nem as ondas grandes — e muito menos a maciça presença masculina no meio surfista.
— Nunca senti qualquer tipo de preconceito. Quando conto que surfo, os guris acham legal — relata a adolescente.
Mariana faz parte de uma legião de meninas e mulheres que, a cada nova temporada, derruba tabus e se aventura na tentativa de encontrar equilíbrio em cima das ondas. Elas ainda representam uma minoria — no ranking gaúcho, são apenas quatro mulheres para 24 homens. Apesar dos índices desfavoráveis, a desigualdade vem diminuindo na mesma proporção da derrubada do machismo.
— Hoje em dia, não vejo preconceito por parte dos homens. Pelo contrário, existe uma solidariedade na disputa pelas ondas, há um cavalheirismo dentro da água — destaca o presidente da Federação de Surf do Estado, Orlando Carvalho.
Yasmin Dias, nove anos, aprende com o pai e sonha em competir
Foto: Harleyson Almeida/Especial
O sonho de viajar o mundo pelo esporte
Nem sempre foi assim. A primeira campeã brasileira da modalidade, a gaúcha Roberta Borges, recorda do tempo que começou a pegar onda em Torres — onde outras amigas também surfavam. Em viagens e competições, sentia uma certa resistência que não foi capaz de estragar sua motivação.
— As pessoas estranhavam, me olhavam diferente, mas isso nunca foi um problema para mim. Se fosse, eu teria parado, o que nunca aconteceu — resume Roberta.
O mesmo brilho no olhar que leva a ex-surfista profissional a cair na água até hoje na Praia da Barra, em Santa Catarina, motivou a estudante Yasmin Dias, de apenas nove anos, a se aventurar no mar. Com alguns empurrões e muitas lições do pai surfista, José Carlos Dias, 36 anos, a menina sonha em viajar o mundo e competir.
— Gosto porque é um esporte radical — diverte-se a pequena.
Que surfe deixou de ser coisa de homem, ninguém duvida mais. Para a estudante Renata Diehl, 24 anos, número 1 no ranking gaúcho, as mulheres estão ganhando cada vez mais respeito — e admiradores também.
Dicas para iniciantes
> Para começar a surfar, é fundamental saber nadar
> É preciso também conhecer ou, ao menos, ter noções básicas das condições do mar
> Use biquínis maiores e confortáveis, bem presos na cintura
> Utilize um "pranchão" para aprender. Quanto maior a prancha, mais fácil de se equilibrar
> Procure uma escola de surfe para poder aprender os movimentos básicos do esporte
Fonte: ex-surfista profissional Roberta Borges e o presidente da Federação Gaúcha de Surf, Orlando Carvalho













