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Garotas do surfe08/02/2013 | 05h03

Mulheres derrubam tabus e se aventuram no equilíbrio sobre a prancha

Legião feminina cresce no esporte e elas ganham cada vez mais respeito e admiradores

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Mulheres derrubam tabus e se aventuram no equilíbrio sobre a prancha Harleyson Almeida/Especial
Mariana de Bortoli, 15 anos, não teme ondas grandes e, na areia, leva sempre a prancha Foto: Harleyson Almeida / Especial

Cabelos loiros que brilham a cada reflexo de luz, pele dourada sapecada pelo sol e olhos azuis ressaltados pelo bronzeado. Na areia, desfila com um biquíni preto, um short colorido e sua fiel companheira: a prancha. Em poucos minutos ela está em alto-mar e, da areia, surge apenas como um pontinho no meio da água. Aos 15 anos, Mariana de Bortoli não teme o mar frio nem as ondas grandes — e muito menos a maciça presença masculina no meio surfista.

— Nunca senti qualquer tipo de preconceito. Quando conto que surfo, os guris acham legal — relata a adolescente.

Mariana faz parte de uma legião de meninas e mulheres que, a cada nova temporada, derruba tabus e se aventura na tentativa de encontrar equilíbrio em cima das ondas. Elas ainda representam uma minoria — no ranking gaúcho, são apenas quatro mulheres para 24 homens. Apesar dos índices desfavoráveis, a desigualdade vem diminuindo na mesma proporção da derrubada do machismo.

— Hoje em dia, não vejo preconceito por parte dos homens. Pelo contrário, existe uma solidariedade na disputa pelas ondas, há um cavalheirismo dentro da água — destaca o presidente da Federação de Surf do Estado, Orlando Carvalho.


Yasmin Dias, nove anos, aprende com o pai e sonha em competir
Foto: Harleyson Almeida/Especial


O sonho de viajar o mundo pelo esporte

Nem sempre foi assim. A primeira campeã brasileira da modalidade, a gaúcha Roberta Borges, recorda do tempo que começou a pegar onda em Torres — onde outras amigas também surfavam. Em viagens e competições, sentia uma certa resistência que não foi capaz de estragar sua motivação.

— As pessoas estranhavam, me olhavam diferente, mas isso nunca foi um problema para mim. Se fosse, eu teria parado, o que nunca aconteceu — resume Roberta.

O mesmo brilho no olhar que leva a ex-surfista profissional a cair na água até hoje na Praia da Barra, em Santa Catarina, motivou a estudante Yasmin Dias, de apenas nove anos, a se aventurar no mar. Com alguns empurrões e muitas lições do pai surfista, José Carlos Dias, 36 anos, a menina sonha em viajar o mundo e competir.

— Gosto porque é um esporte radical — diverte-se a pequena.

Que surfe deixou de ser coisa de homem, ninguém duvida mais. Para a estudante Renata Diehl, 24 anos, número 1 no ranking gaúcho, as mulheres estão ganhando cada vez mais respeito — e admiradores também.

Dicas para iniciantes

> Para começar a surfar, é fundamental saber nadar

> É preciso também conhecer ou, ao menos, ter noções básicas das condições do mar

> Use biquínis maiores e confortáveis, bem presos na cintura

> Utilize um "pranchão" para aprender. Quanto maior a prancha, mais fácil de se equilibrar

> Procure uma escola de surfe para poder aprender os movimentos básicos do esporte

Fonte: ex-surfista profissional Roberta Borges e o presidente da Federação Gaúcha de Surf, Orlando Carvalho

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