Rodeado pelo casal de filhos e pela sobrinha, três nenês afoitos se jogando de boca aberta contra as ondas de chocolate do mar de Atlântida como se quisessem comê-las, o administrador Luiz Felipe Vallandro, 37 anos, não tinha mãos suficientes para segurar a tropa diminuta.
No final da manhã de segunda-feira, ele abriu um sorriso para dizer que, mesmo com as nuvens escuras prontas para virar chuva, aquele era O LUGAR:
— Independentemente de tudo, a praia sempre é o melhor lugar para se estar.
Vallandro arriscou o banho de mar com filha e sobrinha
Foto: Félix Zucco
Depois, claro, tinha o chuveiro na beira da praia para escorrer do corpo as algas responsáveis por transformar o mar gaúcho em um gigantesco copo de Nescau. O que não é uma unanimidade negativa. Os salva-vidas que cuidam da área onde estavam Vallandro e as crianças, por exemplo, encontram vantagens.
— Às vezes, as pessoas vêm e nos perguntam o que é isso. A gente diz que é alga. É bom porque tem iodo, que é uma beleza contra a sinusite — garantiu um dos salva-vidas.
Na verdade, o número de banhistas reduz no chocolatão, com reflexo nos afogamentos, né, seus espertinhos? E aí vêm com essa história toda do iodo. Que não foi, obviamente, o motivo de as irmãs Manoela e Eduarda Franciosi Badia, 24 e 20 anos, terem sido atraídas à beira-mar na manhã de ontem — elas nunca pensariam em fazer gargarejo com a água do mar para sanar a sinusite. A infraestrutura, essa sim, contou um tanto. Tem o Bali Hai com seus serviços, suas bebidas, os quiosques com seus serviços, suas bebidas. Escreveu o escritor argentino Alan Pauls que, "quando o atrativo selvagem da praia é corrompido pelas aspas da civilização, até suas piores inclemências se tornam excitantes". Bela frase, Pauls. Aliás, o escritor acha que o mundo que se cria a cada banho de mar evapora assim que todos voltam para casa. Curioso, isso? No final deste texto, ele explica esse mistério.
Além da guarita, lá de longe vinham Paula Souza, 33 anos, e Andressa Schüler, 25 anos, com copinhos de caipira colorida nas mãos. Elas pararam diante da pergunta: esse aqui é o melhor lugar para se estar, agora? Sim, mas bem que podia ser Jurerê Internacional, salientaram as gurias.
— No Carnaval, o pessoal não quer ficar em casa, quer aproveitar. Até se tiver chuva fraca dá para ficar na praia — argumentou Paula, antes de palmilhar a areia adiante, sorriso no rosto e caipira na mão.
Andressa e Paula curtiram caipirinhas coloridas
Foto: Félix Zucco
O sol pontuava e, depois do meio-dia, rompeu a barreira de nuvens, triunfante. Capão da Canoa lotou. O clima ficou abafado, a temperatura chegou aos 29°C, só que as nuvens não iam embora. No meio da tarde, veio a chuva, e o pessoal não foi embora. E a chuva apertou, e alguns foram. Os termômetros reduziram para 26°C. Então, a multidão começou a se mexer em direção à cidade, e é aí que entra o Pauls, mais uma vez. "Vestidos não somos os mesmos que de maiô, e quem nos vir entrando no mar provavelmente não nos reconhecerá à noite tomando sorvete na calçada ou dançando na discoteca." Foi ali pelo final da tarde que a praia deixou de ser o melhor lugar. E um mundo se desfez.
Calor à beira-mar, seguido de chuva isolada no período da tarde
O abre e fecha das nuvens para o sol, volta e meia com a intromissão da chuva, prosseguirá durante esta semana. Principalmente durante o feriado, o tempo se manterá instável. Nesta terça-feira, há chance de chuva isolada e possibilidade de calor de 30°C.
— Tempo firme ainda não haverá esta semana. Na quarta, diminui bastante a chance de chuva na maior parte do Estado, mas ela fica restrita à Serra, ao Litoral Norte e ao Alto Uruguai — prevê a meteorologista Tatiane Martins, da Somar Meteorologia.
As chances de chuva deverão ser maiores durante a tarde. A temperatura máxima ficará entre 27°C e 28°C a partir de amanhã no Litoral Norte. O calor, garantido pelo vento proveniente do norte, deverá incentivar a presença dos veranistas na beira da praia.













