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Verão 201308/02/2013 | 05h02

A terra onde se colhe o abacaxi mais doce

A fruta cultivada em Terra de Area é "estrela" em tendas espalhadas pelas praias do Litoral Norte

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A terra onde se colhe o abacaxi mais doce  Félix Zucco/Agencia RBS
Viviane vende a fruta em esquina de Capão da Canoa: o preço é o mesmo, o que varia é o tamanho Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Estacionados em cruzamentos estratégicos pelas praias do Litoral Norte, caminhões propagandeiam a procedência do produto como garantia de qualidade: "abacaxi de Terra de Areia".

Viviane Klein, 31 anos, confirma a grife citando a clientela:

— Eles compram no supermercado e reclamam que é azedo, o nosso é docinho — simplifica a agricultora, que passa de janeiro a março cuidando da tenda improvisada na caçamba, em uma esquina da Avenida Beira-Mar, no centro de Capão da Canoa.

Enquanto ela toma conta da banca, o marido e os sogros cuidam da plantação. Outro caminhão da família roda pelo litoral aos finais de semana, espraiando a fama dos abacaxis de Terra de Areia veraneio afora.

O preço é único, a quantidade é que varia conforme o tamanho do fruto: três, quatro ou oito por R$ 10.

— Sou freguesa, quero um maior — argumenta uma senhora pedindo licença para interromper a entrevista. Acabou ganhando uma cortesia pela fidelidade. O ponto é dos Klein há 13 anos, tempo suficiente para muito veranista criar o hábito de encher a sacola depois do banho de mar.

O segredo da doçura

Banhada pelas lagoas dos Quadros e Itati e com um pequeno trecho litorâneo entre Capão da Canoa e Arroio do Sal, Terra de Areia bem que atrai a atenção de pescadores e um ou outro veranista em busca de sossego na praia de Santa Rita. Nada que supere o status das frutas cítricas especialmente doces.

A razão para isso tem a ver com a terra — que não é de areia, e sim argilosa. Os pioneiros do abacaxi se instalaram lá nas "terras das areias de barro", como diziam os nativos nos idos da década de 1950, terras essas com maior teor orgânico, boas para a plantação.

Mas colher o fruto maduro, sem romper a cadeia de aminoácidos que formam o açúcar, um ano e meio ou dois depois de a muda ser plantada, é que faz a diferença no sabor, conforme o técnico agrícola da Emater José Carlos Maiato. O abacaxi que vem de outros cantos do país, embora também seja do tipo pérola, é colhido verde e recebe aditivos para maturar durante o transporte de milhares de quilômetros até o Sul.

A lida do agricultor que pouco tem de doce.

— É pesado, tem que plantar mudinha por mudinha, capinar, carregar os balaios para colher, as costas sofrem — descreve José Erides Engel, 46 anos, ignorando os espinhos que roçam nas pernas enquanto anda pela plantação ao lado do filho, Jonas, 14 anos, chamado de "sócio".

Dos 329 hectares de plantio de abacaxi em Terra de Areia, a maior parte é cultivada no modelo dos Klein e dos Engel: agricultura familiar. A descontinuidade do negócio pelas novas gerações reduziu a produtividade, que já chegou a 3,2 milhões de frutos e 900 hectares de área plantada. Nesta temporada, a conta deve fechar em 1,8 milhão de abacaxis — 400 mil pés foram perdidos só no calorão do Natal passado.

Para salvar a lavoura, os produtores contam com a tradicional freguesia de quem reconhece Terra de Areia como sinônimo de "abacaxi doce" nas tendas do Litoral Norte.

 

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