O mesmo vento que impediu o deslocamento da P-63 em direção ao cais da Quip em Rio Grande também esteve presente na praia da cidade, o Balneário Cassino, nesta quarta-feira. Ainda com o calor de quase 30ºC, a ventania espantou boa parte dos banhistas. Sorte de "Zeca", como é conhecido, ou José Roberto Escobar Ferrera, 50 anos, que trabalha nas vagonetas dos molhes da praia.
— Quando o tempo está ruim para tomar banho, tem mais turistas aqui — fala satisfeito enquanto embarca seis pessoas na sua vagoneta 26, apelidada de "Águia Dourada".
Uma família de três pessoas se diverte durante os 4km de trajeto, enquanto o veículo, impulsionado pelo vento e freado por Zeca, atinge até 30 km/h.
— Saímos de São Leopoldo e queremos chegar até Jaguarão neste fim de semana. Passamos pelo Cassino, minha filha queria se jogar no mar, mas as condições climáticas não deixaram. Então optamos por conhecer os molhes — diz o pai e professor Astério Mombach, 38 anos.
— Mas agora no hotel eu vou para a piscina, né pai? — diz a pequena Juana, de cinco anos, que aproveita para contar empolgada sua nova habilidade: Agora já nado até sem bóia!
A família achou justo o preço do passeio de 40 minutos: R$ 10 por pessoa. Ano passado, o preço estava pela metade.
— Fazia três anos que não aumentávamos. Não é um trabalho fácil: quando não tem vento, empurramos até 15 pessoas no carrinho durante todo percurso — explica Zeca, que está no serviço há 30 anos.
De pé descalço no concreto dos molhes, com os chinelos apoiados no veículo "para usar na areia grudenta", justifica, ele aproveita e já comenta um pouco da vida:
— Esse é um trabalho que passa de pai para filho. Meu pai falecido me passou o serviço. Eu estou tentando ter um para continuar a carreira.
Um passageiro no fim do trajeto pergunta quanto iria querer pela vagoneta, ele ri e comenta:
— Uns R$ 3 mil. Mas não te vendo, não.













