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Refresco da estação15/01/2013 | 06h01

Uma das frutas mais desejadas na praia pode percorrer mais de 3 mil quilômetros para chegar ao Estado

25 mil cocos viajam de caminhão da Bahia e do Espírito Santo, rumo a Capão Novo, três vezes por semana

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Uma das frutas mais desejadas na praia pode percorrer mais de 3 mil quilômetros para chegar ao Estado Lauro Alves/Agencia RBS
O produto chega ao depósito dos Fernandes, em Capão Novo, de onde é distribuído para outras praias do Litoral Norte Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Ele chegou gotejante, como se num esforço para refrescar as veranistas mais sedentas que se bronzeavam na orla de Capão da Canoa, na manhã de ontem. Veio vagaroso, veio provocante e caiu, de um jeito doce, nas mãos de Laura Arigony, 19 anos.

— Perfeito! — resumiu a jovem, sorvendo-lhe com calma.

Do primeiro ao último gole, nem parecia que aquele coco tinha percorrido mais de 3 mil quilômetros desde Rodelas, na Bahia, para satisfazer uma das vontades mais praianas que se pode ter no Litoral Norte ou em qualquer outra faixa de areia do mundo: olhar para o mar, sob o sol sapecante, sentindo a água de coco refrescar por dentro.

Protegendo seu líquido, o coco de Laura teve de enfrentar três dias de sol, chuva e sacolejos na estrada até chegar ao depósito de Paulo Fernandes, 54 anos — o único fornecedor das frutas desde Mariluz até Capão Novo. Na distribuidora, no Jardim Beira-Mar, ele foi recepcionado por Noeli Fernandes, mulher de Paulo, que tirou-lhe do caminhão junto a outros 25 mil cocos que chegaram na semana passada, vindos da Bahia ou então de Vitória, no Espírito Santo.

Noeli já nem sabe há quantos anos a família passa o verão lidando com os cocos. Paulo não tem certeza, mas em uma conta breve, estima que já se passaram uns 15 anos.

— Tem horas que a gente não aguenta mais ver coco na frente. Tomar então... — desabafa Guilherme Fernandes, 20 anos, estudante de Engenharia de Controle e Automação, que, nesta época do ano, deixa Porto Alegre para ajudar os pais no Litoral.

De dezembro a março, a rotina da família é sempre a mesma. O primeiro caminhão carregado parte do depósito logo nas primeiras horas da manhã tendo como destino Mariluz. O segundo desloca-se no final da tarde, quando veranistas já não lotam mais as praias e segue por toda a extensão da orla, entrando em Atlântida Sul, percorrendo Atlântida, Capão da Canoa e Capão Novo.

De segunda a sexta-feira, cerca de 5 mil unidades são vendidas para os quiosqueiros. No final de semana, o número quadruplica, chegando a 20 mil cocos que se encontrarão deliciosamente gelados nas mãos dos mais diversos veranistas. E de Laura, que, até o final das férias, ainda deve pedir muito coco.

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