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Esportes radicais26/01/2013 | 06h02

Prática de windcar atrai curiosos na Plataforma de Atlântida

Veículo é ecologicamente correto, dependendo apenas da força eólica e da destreza do condutor

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Prática de windcar atrai curiosos na Plataforma de Atlântida Ricardo Duarte/Agencia RBS
Mario Luiz Corá é um dos praticantes da atividade no Estado Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Em alta velocidade, Mario Luiz Corá, 52 anos, cruza a beira-mar de Atlântida. Vai lá longe. Rodopia para um lado e retorna ainda mais rápido. Um pôr do sol mesclado com o cinza de um dia de nuvens carregadas deixa o cenário ainda mais cênico. A sensação é de liberdade, define o representante comercial.

Mario é um dos cerca de 30 praticantes de windcar no Estado, segundo a Associação Gaúcha do Esporte, e atração certa perto da Plataforma nesta segunda quinzena de janeiro, período em que permitiu-se férias. Espécie de celebridade entre os frequentadores da orla no final da tarde, Mario atrai olhares curiosos. Muita gente nunca viu objeto semelhante na vida.

— Uau! Que carrinho legal. Olha o que ele faz — diziam em coro as irmãs Silva Tainara, 18 anos, e Natalie, 13 anos, enquanto, de celular em punho, fazem um ensaio fotográfico improvisado do homem que pilota o carrinho — onde anda deitado — com uma roda na frente e duas atrás, manejando uma vela de 5,5 metros de altura e dando a direção do carro com os pés.

As irmãs acima nunca tinham ouvido falar. Mario descobriu o esporte tem dois anos. O triciclo dele é uma espécie de remontagem de um esporte muito praticado no Estado por volta dos anos 2000. O modelo arrojado, da Nova Zelândia, desmonta-se em sete minutos, e a engenhoca se transforma em 18 peças que cabem dentro de uma mala. Junto, tudo não passa de 29 quilos.

Viciado em pesquisas na internet sobre inovações, Mario compra tudo o que vê pela frente. Foi assim com o carro, que custou-lhe US$ 5 mil.

Conhecido pela criatividade, não poderia ter esporte que se adequasse melhor ao seu pertil. Gosta de velejar e explica que o carrovelismo, como é conhecida a atividade no país, não exige nenhum outro conhecimento a não ser o de navegar.

— A única coisa é que precisa ser bastante rápido nos movimentos, pois o carro é muito veloz. É uma musculação, mas não cansa. Eu aguentaria ficar brincando mais de seis horas, fácil — delicia-se o praticante.

Falando em radicalidade, tombos não faltaram nestes anos de prática, nenhum deles suficientemente trágico para o fazer parar. Capacete e cinto de segurança garantem a tranquilidade adequada. Os amantes da prática repetem que melhor lugar que a beira da praia gaúcha para praticar a modalidade não há.

— Temos faixas largas de areia, que propiciam maior adrenalina, com manobras mais emocionantes. Mas não pode ter ninguém por perto para não correr o risco de atropelar alguém. Por isso, sempre venho depois das 19h, quando a praia esvaziou — esclarece Mario.

A novidade reinventada é ecologicamente correta, já que não depende de nenhum combustível. Apenas a força eólica e a destreza do condutor são capazes de levar o praticante a mais de 80 km/h, zunindo por entre aqueles que gostam de curtir o pôr do sol de frente para as ondas.

O QUE É

> O carrovelismo, windcar ou carro à vela, é um esporte praticado com veículos pequenos sobre três rodas, impulsionados pela força do vento.

> O modo de pilotar é parecido com velejar. Por isso, para começar, o primeiro passo é conhecer o comportamento do vento.

> Os pés dão a direção e com as mãos se maneja a vela. Pode atingir até três vezes a velocidade do vento, que deve ser de no mínimo 10 km/h.

> Custa entre R$ 3 mil e R$ 10 mil, dependendo da categoria.

> Mais informações sobre o esporte com o presidente da Federação Brasileira: carlos@ribatex.com.br

Linha do tempo

> Em 1598, na Holanda, a pedido do Conde Maurício de Nassau construiu-se um verdadeiro "coletivo à vela" para deslocar os exércitos. Era capaz de levar 28 indivíduos.

> Em 1898, virou esporte de competição na Bélgica.

> Lodovico Brunetti foi um dos pioneiros no Brasil, na Praia de Pitangueiras, no Guarujá-SP, em 1936.

> Na década de 1990, Amyr Klink e Paul Gaiser percorreram a costa gaúcha em carros semelhantes, atraindo muitos adeptos que passaram a construir seus veículos e a realizar raids (uma espécie de passeio) e competições.

> O primeiro Campeonato gaúcho da modalidade foi realizado em Capão da Canoa, no início da década de 1990.

> Em 1991, é formada a Associação Gaúcha de Windcar.

> Teve seu auge de 1996 a 2008, com destaque para 2000, quando o Brasil tirou o terceiro lugar no Mundial da Holanda, melhor posição até hoje.

Fonte: Carlos Simões, presidente da Federação Brasileira de Carro à Vela, que tem sede no Rio Grande do Sul

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