Uma oportunidade de contato com animais e a natureza atrai centenas de pessoas para uma praça toda graciosa na praia de Imbé, no Litoral Norte. Gente miúda trajando sunga e biquíni percorre o espaço com a cautela da descoberta. As crianças enlouquecem com os patos, gansos e seus filhotes que desfilam com desenvoltura, soltos pela grama do Braço Morto, demonstrando estarem à vontade com a curiosidade de seus visitantes.
A pedagoga Lisiane Petry Bondan, 30 anos, levou os dois filhos para apreciarem o espaço e saiu extasiada com a experiência:
— Expliquei para o Léo Augusto e para Lariane sobre os habitats dos animais, do que eles se alimentam e como temos de cuidar deles. Um lugar como este é raro.
Sentimento semelhante é o que faz a veranista Maria Luiza Schuler, 42 anos, levar sua pimpolha de cachinhos negros, Laura, dois anos, mais de uma vez por dia ao parque.
— Comam coelhinhos — repetia a garota, oferecendo uma folha de repolho para três felpudos.
De tanto que a guria gosta de ver os dentuços roerem os caules, a mãe foi buscar conselhos de uma amiga veterinária para saber o que poderia levar. Folhas estão liberadas, comemorou. Sobre atitudes como a de Maria Luiza, o biólogo Maurício Tavares, do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar) faz uma observação:
— O ideal é não alimentar nenhum deles, já que existe uma quantidade limitada de comida que podem ingerir ao dia. Imagina se cada criança que vai lá e dá um pouquinho? Eles vão ficar estufados e pode até fazer mal.
A mãe de Laura sabe disso. Limita a alegria da filha a pedaços mínimos: só para estimular o contato tão adorado pela pequena.
A mesma faceirice da generosa mocinha de biquíni rosa se multiplica no semblante de qualquer criança que visite o espaço. Nicolas Kern, três anos, dava pulos em sequência ao perseguir patos e gansos. Mas eram os filhotinhos que deixavam os olhos ainda mais arregalados de satisfação.
Histórias sobre o espaço não faltam. Corre à boca pequena que tem uma lontra que vai até lá de vez em vez e abocanha alguns patos. Depois de encher o pandulho, retorna para o seu habitat. Por ser ágil e ter hábitos noturnos, dificilmente é vista.
Outro que anda se exibindo por lá é o ratão do banhado. Uma família da espécie tomou para si o território. Não é raro ver os filhotes correndo pela grama e fazendo piruetas para a alegria da molecada.
— Todos estes bichos são diferentes dos animais de estimação. Ele tem um espírito diferente do que está preso e pode atacar, se sentir-se ameaçado — orienta o biólogo.
A manutenção é feita por uma equipe da prefeitura, mas os moradores também colaboram. É quase que um quintal estendido da casa de cada um.
A casa da vaca
No pátio de uma das casas que rodeia a praça, na Rua Santo Ângelo, uma vaca comprada no leilão do CowParade, há três anos, também virou atração turística. Sinara Oliveira, conta que ela o marido arremataram o objeto por cerca de R$ 10 mil. A casa lota de gente querendo fotografar. As crianças pedem para montar na vaca de fibra e tirar foto. Lugar mais propício para compor o cenário não há.
Obra da CowParade fica em casa na Rua Santo Ângelo
Foto: Ricardo Duarte
Veja como as crianças interagem com os animais da Praça do Braço Morto:













