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Prosa de verão25/01/2013 | 22h43

Potter: as canções do verão

Ludwig van Beethoven não combina com o verão brasileiro

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A música do verão existe porque animais do sexo masculino precisam pegar os do feminino. É regra em países tropicais que, a cada estação da pouca roupa, algo remelexa a população. Algum som que cause alegria em 83,28% da gente. Ele precisa ser sensual. Ou falar bobagens cotidianas que o mais sublime filósofo conversa com o dono da quitanda. Ao ver o documentário Vinicius, de 2005, naquela velha, boa e persistente locadora perto de ti, lembro de ficar absurdamente feliz em ver que o poetinha era um bagaceira — com o gênero no feminino mesmo, porque era assim que minha mãe me chamava nos espasmos de raiva.

Vinicius das letras amorosas, da paixão escorrida em páginas e melodias falava palavrão, pensava em fazer amor com voracidade e ficava um dia inteiro sem escrever poesia e só falando porcaria com amigos beberrões. Meu sonho de vida. Mas não sou plural como o Moraes, portanto, presto atenção nas músicas de verão. No sacolejo do povo abaixo do sol mais forte da temporada.

Nesse de 2013, Naldo, um carioca para sentar num bar e beber chopes de tão "sangue bom" que é, se responsabiliza pelo ato. O hit do verão é dele. Ou os hits. Um deles, Amor de Chocolate: "Vodka ou água de coco pra mim tanto faz/ Gosto quando fica louca e cada vez eu quero mais/ Cada vez eu quero mais/ Whisky ou água de coco pra mim tanto faz/ Já to cheio de tesão e cada vez eu quero mais". Poesia. E cabe a você classificar se é boa. Ou não.

Sempre fico em cima do muro em criticar a música do verão. Ela sempre fala de sexo. Nas linhas ou entre as mesmas. O sexo é presente e faz parte do verão. A roupa mínima, o dourado, o suor, enfim. E as músicas da estação bradam isso. Festa no Apê falava do bundalelê em um apartamento. A Na Boquinha da Garrafa falava de alguém se agachando em cima de uma garrafa. Não serei o chato para falar: "Ô, moça? Quer fazer o favor de não se abaixar até a ponta dessa garrafa?! É perigoso!".

Ludwig van Beethoven não combina com o verão brasileiro. Nunca um cara que depila o peito abrirá um porta-malas com um isopor repleto de ceva (sic) e colocará a Nona do alemão para tocar. Com o som no talo. Nunquinha. Por isso o ato mais inteligente a se fazer quando a canção do verão começar a ser cantarolada na vitrola é rir e pensar: "não acho a letra uma poesia como as do Vinicius de Moraes e tal, mas farei o que o poeta faria se tocasse Amor de Chocolate: apreciarei a felicidade na cara dessas belas moças dançando…". Em casa, sozinho, aprecio Tonico e Tinoco.

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