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Agradável beira-mar17/01/2013 | 06h02

Nordestão está mais fraco no Litoral nesta temporada de verão

Geralmente forte e persistente, vento é típico no Rio Grande do Sul por causa da posição do Estado em relação ao globo terrestre e ao Atlântico

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Nordestão está mais fraco no Litoral nesta temporada de verão Ricardo Duarte/Agencia RBS
Procura de voos de paraglider em Torres aumentou em 20% com a menor incidência do vento Foto: Ricardo Duarte / Agencia RBS

Camila Cavalli, 21 anos, tem aulas de paraglider há um ano sem maiores percalços. Ontem, foi trapaceada pelo vento. Estava em pleno vôo no Morro do Farol, em Torres, quando a pressão do vento baixou e ela teve de fazer um pouso forçado. Aterrissou no matagal e deu um baita susto em quem estava lá admirando a beleza de Torres sob um sol escaldante de 27°C.

A jovem é iniciante. O que aconteceu com ela não é a regra. Os mais experientes aterrissam no morro ou na praia, quando o mesmo ocorre, mas o imprevisto denuncia o período que o Litoral Gaúcho vem passando. O vento não está lá tão forte, comenta o instrutor de vôo Márcio Mota da Silva, 37 anos.

Em compensação, a ausência do Nordestão é comemorada pelos adeptos da modalidade. Na escola de paraglider onde trabalha, houve um aumento de 20% nos vôos.

— Quando o vento é de nordeste não tem como voar do Morro do Farol. Este ano, é um cliente atrás do outro. O vento que mais está ocorrendo é o leste, perfeito para o esporte — diz Márcio Mota da Silva, 37 anos.

A trégua do Nordestão — que no ano passado até instigou a moda das meninas usarem lenço na cabeça para conter as madeixas — tem feito a alegria dos veranistas.— São dias para ler jornal na beira da praia sem o estresse de conter as folhas — comentou o coordenador dos salva-vidas da Operação Golfinho, tenente-coronel Vinicius Clos Corrêa.

Ele lembra que a temperatura mais alta da água, marcada em 23°C ontem na Plataforma de Tramandaí, deve-se às correntes marítimas chamadas de brasileiras, caracteristicamente mais quentes.

O comandante dos salva-vidas de Nova Tramandaí até o limite com Xangri-lá, major Roberto do Canto Wilkoszynski, tem 47 anos e surfa desde os 14 anos. Sabe tudo de beira da praia e conhece cada movimento do vento. Ele conta que está abismado com o que tem percebido:

— Estamos há mais de uma semana apenas com a presença do vento leste. Isso não é comum.

E o vento leste ajuda também em outros quesitos. É ele quem está deixando a água mais limpa e quentinha, comenta o major.

— Ele vem de dentro do mar para a terra, acaba trazendo a água mais clara para a beira. O Nordestão tem aquela característica de deixar o mar chocolatão.

Mas todo este cenário convidativo inspira cuidados, conforme denunciam as bandeiras amarelas. Apesar de cristalino e morno, muitos buracos e as chamadas correntes de retorno estão por toda a parte. Os salva-vidas pedem que os banhistas tenham atenção também às bandeiras vermelhas fixadas no chão. Elas indicam que aquela área tem muito repuxo e requer atenção triplicada.

A tendência é de que o cenário se mantenha até o final do mês, já que uma massa de ar seco está estacionada à leste do Estado. A trégua no Nordestão se deve, em partes, também a um período de neutralidade climática, onde nem El Niño nem La Niña se apresentam — coisa que não ocorria desde 2004.

Saiba mais

O Nordestão é geralmente forte e persistente, típico no Rio Grande do Sul por causa da posição do Estado em relação ao globo terrestre e ao Atlântico.

Frentes frias passam pelo mar, não atingem diretamente a costa, mas intensificam o vento que vem do mar em direção à terra. É o tal vento nordeste.

Ele deixa o mar mais agitado e escuro, já que ele começa a se movimentar na direção do vento. Como este vento (normalmente acima de 40 km/h) é forte, remove o fundo do oceano.

Neste ano, como não tem a presença dos fenômenos El Niño e La Niña, estamos em um período de neutralidade climática, o que não ocorre desde 2004. Assim, o vento característico vem se apresentando em menor frequência que em anos anteriores.

Outra explicação para o que está ocorrendo nesta semana tem a ver com uma massa de ar seco estacionada sobre grande parte do Rio Grande do Sul, que joga para a costa o vento leste predominantemente. A tendência é de que esta condição permaneça até o final do mês, impedindo chuva na região. Pode haver apenas pancadas rápidas, sem alterar a boa condição do tempo.

Fonte: Somar Meteorologia

COMO O VERANISTA GOSTA


Bola de plástico gigante para andar na água é sensação em Torres
Foto: Ricardo Duarte

Por onde se andasse no Litoral Norte ontem, a visão era a mesma: areias lotadas e muita gente dentro do mar. Cada um achava a diversão que mais se afeiçoava.

Luiza Uchoa Westphalen flertava com uma bola de plástico gigante, daquelas em que é possível entrar e navegar nas ondas.

— Acho que eu vou ter medo — dizia a menina de três anos, cheia de caras e bocas para a câmera fotográfica da mãe Karen, 37 anos.

— Já disse para o meu marido. Até o final da temporada eu vou andar neste brinquedo — exclamou a mãe.

O argentino Gabriel Rueda, 38 anos, veio de Córdoba para fazer sucesso na orla de Torres com a novidade que chama de Globo Nuclear no mar gaúcho. Era ele quem oferecia a diversão ontem a R$ 15 por 10 minutos.

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