O salva-vidas é alguém pago para monitorar os movimentos de cada um dos banhistas quando entram no mar e atender aos casos de perigo. Em Balneário Santa Rita, entretanto, há um grupo de profissionais que faz muito mais do que trabalhar em resgates das ondas: dão um banho de cidadania.
A faixa de areia sob os cuidados do grupo tem cerca de um quilômetro e meio entre Curumim e Arroio do Sal, no Litoral Norte. Praticamente no meio do nada, a guarita 49, enfeitada com palavras de segurança, virou atração do balneário pertencente ao município de Terra de Areia.
O autor da iniciativa é o soldado Flávio Gonçalves da Silva, 41 anos. A experiência de 17 temporadas como guardião em época de veraneio fez dele um exímio conhecedor da relação das pessoas com tal imensidão de água salgada.
Mensagens de incentivo também são expostas no local
Foto: Ricardo Duarte
Já viu turista morrer atingido por raio na beira de praia, socorreu gente sob efeito de medicamento e perdeu as contas de quantos embriagados transportou de um repuxo até a terra firme. Tudo isso fez da sua uma guarita diferente. Em vez do desenho do patrocinador, como é visto em outras praias, são mensagens próprias que fazem o marketing da boa conduta. Mesmo assim, pelo menos cinco resgates foram feitos este ano. Nenhum óbito, comemora o soldado.
— Nós orientamos, mas tem coisas que não dá para prever. Hipertensos e diabéticos, por exemplo, são um perigo na água. Eles entram, e como vamos adivinhar que eles têm essas doenças? — ressalva o soldado Flávio.
Em uma praia de encantos minguados, a dita guarita virou alvo de fotos, e os salva-vidas não passam um dia sem serem abordados. Todos querem saber de quem foi a ideia e como foi executada.
Simples, responde o soldado. Comprou uma tinta acrílica de cor preta, com o próprio salário, e, no estilo Times New Roman, pincelou as frases que vinham do seu coração.
O sargento Toni Anderson Aragão de Oliveira, seu colega, entrou no ritmo. Seus dotes são desenvolvidos na areia. Todo dia escreve frases de otimismo em frente à casinha deles.
Por serem a representação da lei em um local meio que abandonado, viraram porto seguro. São procurados para resolver problemas do cotidiano, apaziguando os ânimos. É som alto, carro na praia, cachorro na areia e lixo espalhado que não é recolhido há meses pela prefeitura.
— Temos a consciência de que não podemos intervir, prender, dar castigo ou xingar. Então, nos aproximamos dos infratores e, com educação, conversamos e fazemos entender que aquele lugar não é para o tipo de comportamento que estão tendo. Tem dado certo — diz o soldado.
AS DICAS DO SOLDADO
> Não beba antes de entrar no mar
> Respeite o intervalo entre as refeições
> Cuidado com a exposição ao sol
> Não entre no mar em dias de ressaca, neblina e temporal
> Não leve quem não sabe nadar para locais profundos
> Não entre no mar sob efeito de medicação
> Monitore crianças, idosos e pessoas com deficiência
> Verifique a bandeira vigente na guarita ou peça orientação ao salva-vidas













