O Litoral Norte recepcionou veranistas com as maravilhas que se espera de um fim de semana na praia: céu aberto, sol forte, orla cheia e colorida.
Não bastassem as temperaturas próximas aos 28ºC e o vento a soprar suave e refrescante, no combo-verão ainda estava previsto um mar de águas claras e mornas. Irresistível.
Talvez por isso, Lurdes dos Santos, 14 anos, tenha tido tanto trabalho na tarde de domingo. Coube a ela a missão de acompanhar a irmã Stefanie, três anos, até o mar. Uma tarefa nada difícil para a adolescente.
— A água está especial neste fim de semana. Por estar mais limpa, a gente consegue até ver os peixinhos que vêm com as ondas — descreveu Lurdes, compreendendo os motivos pelos quais a pequena irmã não queria saber de tirar os pés da água.
Pode até ter sido surpreendente para os padrões gaúchos. No entanto, o mar que seduziu veranistas do Litoral Norte nestes dois dias de folga se mostrou também traiçoeiro.
Somente no último sábado, salva-vidas resgataram 30 banhistas em Capão da Canoa — o maior número de ocorrências registradas por dia na praia desde o início da 43ª Operação Golfinho, em 15 de dezembro.
Dos veranistas socorridos em toda a extensão da orla, 16 haviam sido levados pela corrente de retorno localizada entre as guaritas 75 e 76, na área mais movimentada da praia.
— O sábado teria sido um dia de praia perfeito, não fosse a presença dessas correntes que são causa de aproximadamente 85% dos afogamentos que acontecem no mar. Desrespeitando a sinalização, os banhistas entram e não conseguem mais sair da água— explicou o tenente coronel Vinícius Clos Corrêa, coordenador da operação.
Para evitar que o domingo fosse de susto, toda a extensão de Capão da Canoa foi marcada por bandeiras vermelhas. Entre as guaritas da região central, os avisos foram reforçados com o isolamento da área de repuxo por meio de faixas e com a orientação de salva-vidas. Ainda assim, um banhista teve de ser socorrido na manhã de hoje.
Desde 15 de dezembro, quando começou a 43ª Operação Golfinho, já foram realizados pelo menos 591 salvamentos nas praias do litoral gaúcho. Os locais que tiveram maior número de intervenções dos salva-vidas foram Barra do Chuí, Torres, Capão da Canoa, Imbé e Cassino.













