Versão mobile

Zoio e Zoia08/01/2013 | 23h19

Cerca estaria atrapalhando aprendizado de voo de pequenas corujas em Capão da Canoa

Bióloga da Secretária do Meio Ambiente afirma estar aberta para discutir alternativas à proteção dos animais

Enviar para um amigo
Cerca estaria atrapalhando aprendizado de voo de pequenas corujas em Capão da Canoa Lauro Alves/Agencia RBS
Corujas ficaram famosas após cancelamento de shows de fogos na virada de ano em 2007 Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

O casal mais apaixonado e fotografado de Capão da Canoa é novamente motivo de preocupação entre moradores e veranistas. Há tempos batizadas como Zoio e Zoia, as corujas já foram causa do cancelamento do shows de fogos da virada de ano em 2007 e, neste verão, estariam passando sufoco com seus filhotes.

E não é que os pequenos estejam aprontando muito. Eles até se comportam. O problema seria a altura da cerca instalada pela prefeitura ao redor do ninho feito nas dunas. Por ser muito alta, moradores reclamam que as novas aves têm dificuldade em aprender a voar e, por isso, fazem buracos por debaixo da grade e acabam se enroscando ou não conseguindo voltar para perto dos pais.

— Fomos nós que no passado exigimos uma proteção para estes animais. Ela foi feita, mas só para este casal. E é preciso que seja decente e não uma prisão como estamos vendo agora — defende o autônomo Carlos Alberto da Silva, 49 anos.

Ao lado de Silva, o músico e veranista Edgar Pozzer, 74 anos, é um dos líderes do movimento informal pró-coruja no Litoral Norte desde 2008. Em homenagem aos animais, criou até marchinhas de Carnaval. E pela família de corujas que vive nos combros em frente ao seu apartamento, enfrentou autoridades e, somente nesta temporada, diz já ter ido mais de uma vez até a prefeitura.

— O problema é que eu sugiro melhorias e eles dificultam o progresso. Pedem que eu desenvolva um projeto, que este seja aprovado pela Patrulha Ambiental da Brigada Militar e que eu retorne com toda a papelada para avaliarem. Este não seria o trabalho deles? Até eu fazer tudo isso os filhotes já foram embora — indigna-se o aposentado.

A ideia de Pozzer, além da formatação de um cercado menos imponente e mais adequado à natureza, é que se faça um verdadeiro estudo sobre os animais — uma pesquisa que contemple respostas como o porquê e se é seguro as aves estarem ali. Sugere, ainda, um concurso cultural para a criação de estatuetas a serem colocadas próximas aos ninhos.

— Com isso, os veranistas seriam alertados, respeitariam o local das corujas e Capão da Canoa ainda fomentaria este que já é um dos seus principais atrativos turísticos. Tem gente aí o dia todo tirando foto dos animais — complementa Pozzer.

Solução provisória, não ideal

A mesma intenção de proteger os animais, mas a partir de um cunho mais científico, move as ações da prefeitura, afirma a bióloga da Secretaria do Meio Ambiente, Marisa Freitas.

De acordo com a especialista, inúmeros estudos já foram realizados para garantir que o espaço cercado permita todos os tipos de atividade das aves, sejam elas adultas ou filhotes. Mesmo não tendo sido registrada nenhuma morte de filhotes desde que a cerca foi instalada, Marisa admite que essa é apenas uma solução provisória, não a ideal:

— A grade surgiu para proteger os animais de cães e pessoas, pois no passado tivemos um grande número de mortes de filhotes. Por isso, resolvemos escolher um dos 24 ninhos existentes como um ponto de educação ambiental, onde há placas informativas. Nossa ideia é que, em alguns anos, não tenhamos mais nenhuma cerca nas dunas — explica.

A intenção da especialista é fazer com que os casais se mudem para regiões menos movimentadas ou de que os ninhos, através de técnicas as quais não revelou, passem despercebidos pelos veranistas.

Marisa afirma não ter tido conhecimento das situações de dificuldade enfrentadas por filhotes e presenciadas pelos moradores e transeuntes. Em nome da Secretaria do Meio Ambiente, a bióloga afirmou estar plenamente aberta a discussões que possam levar benefícios às corujas, desde que estejam embasadas em estudos.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga ZH no Verão no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros