Eles passam na orla, refrescando os pés na água, reluzindo os raios do sol no peito, desalinhando os cabelos beijados pela maresia. Elas, por trás dos óculos, debaixo de guarda-sóis, sorvendo um bom drink de verão, podem até se manter discretas. Mas em um coro, que homem algum ouve, comunicam-se inquietas: Ôôôô lá em casa!
Sempre foram elas as protagonistas nas areias gaúchas. Nestas páginas, no entanto, elas são as coadjuvantes que deram sorte: assistem a tudo, de camarote.
Neste verão, chegou a vez deles. Zero Hora convocou um competente júri praiano e apresenta três grandes achados. Diretamente de Torres, Atlântida e Capão da Canoa, conheça os musos do Litoral Norte.
Corretor de imóveis em Caxias do Sul é muso de Torres
Foto: Lauro Alves
O SURFISTA DE TORRES
GABRIEL DOS SANTOS, 25 ANOS
Tipo Adônis no Olimpo. Só que não era deus. Só que não era Grécia. Era Gabriel dos Santos, 25 anos, a descansar sua beleza no alto das dunas de Torres.
Ele é do tipo cara tímido que sabe que é bonito. Primeiro diz que não se acha, depois até aceita, assim, discreto, como quem não quer levar o papo adiante:
— Se eu não gostar de mim, minha mãe vai ter de fazer essa tarefa sozinha, né?
O mulherio responde: Aham, Gabriel. Aham.
Naquela segunda-feira de tempo fechado e mar agitado, era o moreno alto, era a pinta de surfista, eram os olhos marcantes, era Gabriel que chamava a atenção nos molhes do Litoral Norte.
De regata e bermuda de surfe, não se podia imaginar que é corretor de imóveis em Caxias do Sul. Parecia peixe do mar. Mas usa terno durante a semana. Diz não ser vaidoso e garante ser tranquilo — ainda que escorpiano e ciumento. Para o futuro, o muso da praia mais boreal do Estado deseja surfar as melhores ondas. E procura companhia.
O PARTIDÃO DE ATLÂNTIDA
GUSTAVO BRATZ ELY, 30 ANOS
Não fosse o porte de atleta, não fossem os cabelos beijados pela maresia, naquela incerteza entre o bagunçado e o alinhado, não fosse a postura e o jeito de andar. Não fosse Gustavo Bratz Ely, 30 anos, talvez a ala feminina não ficasse de queixo caído em plena orla de Atlântida.
Mas ele veio da Capital com a discrição da cidade grande, destoando na fala mansa e sem pressa de um fim de semana. E pisou na praia com passos firmes. Um atrás do outro, como que em câmera lenta, decidido e...Pronto. Naquela areia, o júri se abalou, se babou, se abanou. Entrou em crise e teve de rever um de seus mais rigorosos critérios.
Após uma reunião de olhares, piscadas, bocas e trejeitos, em questão de segundos, sem qualquer palavra, a sentença:
— Está de sunga, MAS ELE PODE! — ponderou Rebeca Rabel, sem qualquer sinal de dúvida.
Gustavo trabalha no mercado financeiro, corre, joga tênis e, se não fosse o verão, poderia até receber o título na neve, pois pratica snowboard. Mas o clima é quente. Então, seguimos com a descrição: Gustavo cuida da alimentação, mas não nega um churrasco e uma cervejinha, não se acha grandes coisas e toca violão. Toca violão? Toca violão. Toca violão mesmo? Sim. Tem até uma banda. E não traz anéis dos dedos.
O DON JUAN DE CAPÃO DA CANOA
JUAN NEIRA, 22 ANOS
Uruguaio atrai as veranistas mais alternativas
Foto: Lauro Alves
Um quê de sotaque, um quê de carisma, um nome sugestivo e nem precisa usar máscara. Está reconhecido o Don Juan de Capão da Canoa. A condecoração é mais pela coincidência do que pela similaridade com o lendário libertino. Juan Neira, 22 anos, não faz o menor esforço para ser sedutor.
Só que, querendo ou não, encanta as veranistas mais alternativas, ligadas nas modinhas uruguaias, nos remelexos ritmados pelo reggaeton e nos mullets que escorrem pelo pescoço dos sulistas. Ainda mais quando os cabelos escondem uma tatuagem, como a de Juan, logo atrás da orelha, que revela o gosto por música.
É o tipo de muso compacto: não muito alto, não muito forte, sem extravagâncias. Vai à praia de camiseta, bermuda e chinelos. E sai de lá arrancando suspiros.
— É um legítimo galã, ao melhor estilo "latin lover" — resume o amigo Christian Marrero, 27 aos.
Em Montevidéu, Juan estuda para ser protético. Entre suas realizações, está viajar e não é a primeira vez que vem ao Brasil.Repete o destino porque gosta deste povo que define como "alegre e festeiro".
— E as mulheres são mais belas — complementa.
Saidinho, heinhô? Mas esse, muso, ah, esse muso tem namorada.
COM A VOZ, O JÚRI
A escolha dos musos seguiu os critérios do júri formado por três amigas que veraneiam no Litoral Norte. E não foi nada fácil. Até o trio chegar em um consenso, passaram-se dias de olhares atentos, numa "sofrida" missão à beira-mar.
Como resultado da intensa busca e das preferências de cada uma, apresentaram três estilos diferentes. Um para cada gosto. Mas todos dentro de um certo padrão de rigor, do qual tentaram não escapar e, salvo nem tão raras exceções, conseguiram.
"Topamos a proposta, mas sabemos que beleza não é tudo. Para ser muso, é preciso também ter caráter e personalidade"
Debora Feijó, 19 anos, estudante de Direito
"Temos estilos muito diferentes, mas uma coisa é certa: sunga branca, óculos espelhado e se sentir o DJ da praia ´desmuseia´ muito"
Rebeca Rabel, 19 anos, estudante de Jornalismo
"Ter um bom bronzeado, um corpo definido e uma postura tranquila, de quem não se acha, já é um bom começo para se tornar um muso. Só não pode ser superbombado!"
Francine Raupp, 20 anos, estudante de Direito













