Versão mobile

Prosa de Verão22/12/2012 | 06h01

Potter: O Abominável Homem Peludo

Todo mundo já viu um homem peludo na areia se bronzeando à beira-mar, atirado ao sol

Enviar para um amigo

Pelo no corpo. Ele protege a pele. Deus ou a ciência, um dos dois bolou isso, porque é impossível eles terem sentado numa mesa de bar com chope gelado e decidido: "colocamo (SIC) pelo ou não nos humanos?". Assim nasceu chorando Tony Ramos. Pois nada pode ser mais horrendo do que um homem peludo na areia, atirado no sol esperando o bronzeamento. De bermuda até o joelho, barriga a la Jardel e cabelo a la Lasier.

Por isso, também, é que verão é a pior estação das cinco que temos no Rio Grande. Outono, inverno, primavera, verão e forno. Venha comigo e mentalize seu amigo peludo. Aquele que tem pelos nos ombros. Meio nojento, mas preciso desse esforço seu. Agora crie o quadro: ele se deleitando com protetor solar fator 30. Aquela plasta branca nojenta e pegajosa sendo espalhada entre pelos.

E o caos é quando esse ato terrível é crivado ao seu lado, no guarda-sol vizinho. Sombreiro esse ganho na festa de amigo secreto da empresa. Você ali, lendo a posse de Fábio Koff no "Há 30 Anos em ZH" e aquela cena em 3D: a mulher de maiô besuntando o marido urso. Delicadamente, com carinho. O gasto com o creme deve ser o dobro, talvez três vezes mais. Não há música de Caetano ou do Armandinho para isso.

Ellen Roche pode ter parado ao seu lado e pedido: "Passa bronzeador em minhê…?". Não adianta. O ato que protege do sol o homem com pelos no tendão de Aquiles vai ser mais forte. Algo magnético, algo mais forte que você faz com que desvie da Ellen. A cena é atemorizante e imperdível. Ellen ou o homem peludo? Seu coração decide por ele. Porque é algo terno também. Como pode aquela mulher amar tanto ele? É o maior amor do mundo! Melecar as mãos para espalhar o protetor num toque corporal nada suave. Deve ser um feito áspero e até difícil de realizar. Mas acontece todo verão, milhões de vezes. E na sua frente. Com o homem do gato no saco passando atrás de você miando artificialmente.

Fui criado no Alegrete. São 800 quilômetros, no mínimo, do Pacífico e do Atlântico. Verão era curado com banho de tanque ou de manga (faca!)! E para chegar ao tanque — palavra que me lembra a expressão "mais feio que coxear a avó no tanque" — não tem pedágio, freeway, motorista lento na faixa da esquerda, Estrada do Mar, carro estacionado na areia e três horas de congestionamento.

*Potter escreverá aos sábados, na cobertura diária de ZH

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga ZH no Verão no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros