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ZH na estrada28/12/2012 | 06h01

Acerto de contas, peixe na goela e correria

As expectativas de um repórter que busca as pazes com o verão na expedição Off Road

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Acerto de contas, peixe na goela e correria Bruno Alencastro/Agencia RBS
Equipe viajará de Punta a Garopaba para explorar o litoral e contar histórias Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Já sei, você é mais um que adora o verão. Até glamour você vê no verão. Aquela melecama com protetor solar, por exemplo, que depois de um tempo começa a produzir um sebo empastelado nas dobras da pele do pescoço, é realmente muito glamourosa. Outra coisa cheia de charme é a montoeira grudenta de areia e água que se atulha no meio dos dedos do pé. E o moscaredo rodeando a violinha à dorê? Uma beleza, o verão.


Ok, eu sou um recalcado. Por isso, sempre que posso, dou uma espinafrada no verão. Não sei nadar, muito menos surfar, e com frequência o verão me apronta poucas e boas — esses tempos, aqui na Zero, me mandaram fazer uma matéria em Itacaré, um paraíso tropical no interior da Bahia, então resolvi dar um mergulho com a elegância habitual de quem nunca soube nadar, e aí um peixe vivo entrou na minha goela. Foi meio chato.

Mas o verão e eu, a partir de agora, teremos um belo acerto de contas. Vou enfrentá-lo por todos os lados, por todos os ângulos, vou bisbilhotar suas facetas mais ocultas desde a praiazinha deserta no interior do Uruguai até a mais badalada costa de Santa Catarina. O fotógrafo Bruno Alencastro — um fervoroso aliado do verão, adorador do litoral e toda sua mosquitama — me acompanha nessa expedição que começou ontem com destino a Punta del Este, onde passaremos o Réveillon.

E depois, sempre a bordo da caminhonete guiada pelo motorista Sandro Cunha, subiremos estrada acima pingando em hoteizinhos e pousadas, vasculhando todo tipo de histórias e paisagens e personagens e pontos turísticos — e não turísticos — e pretendemos cruzar com hippies, com pescadores, com figurões, com festas escandalosas e barracas humildes e gente de todo tipo e também animais marinhos, animais selvagens, praias paradisíacas, praias urbanas, e tudo será publicado aqui na Revista de Verão, e também na Zero Hora dominical, e os bastidores da viagem entrarão em um blog, enfim, será emocionante essa correria!

E eu farei as pazes com o verão.

PS: Olha só, queremos sugestões. A ideia é que você, que adora o verão, nos envie por e-mail recomendações de lugares, histórias, estradas, festerês, enseadas, baías, pântanos, lamaçais, atoleiros, qualquer coisa que a gente possa visitar no litoral, desde Punta del Este até sabe-se lá onde em Santa Catarina. Vamos falando!

Quanto vale uma festa e um pinguim no mar

Já que passarei o Ano-Novo em Punta del Este, eu que nunca fui para Punta del Este — e o meu Réveillon mais chique foi nas areias de Imbéverly Hills —, então fui espiar a agenda da página 20 para me informar sobre as festinhas da península.

Quase chorei.

O ingresso para uma festa custa MIL E OITENTA REAIS.

Que coisa, não? Eu gostaria de saber que reação você teve ao ler o parágrafo anterior. Talvez você esteja bocejando, seu ricaço. Ou talvez tenha pensado "mas que absurdo", seu pobre. Melhor nem mencionar os camarotes que custam VINTE MIL.

O Bruno e eu (aliás, ele é o de chapéu na ilustração) não decidimos ainda o que vamos cobrir em Punta. Dizem que tem outras coisas interessantes por lá, como a empolgante migração de pinguins que chegam do Polo Sul. Arram.

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