Houve uma vez um verão07/02/2012 | 03h02

O trem da minha infância

Procurador-geral de Justiça Eduardo de Lima Veiga conta como era atravessar o Estado a bordo das máquinas a vapor

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O trem da minha infância Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Depois de conquistar a simpatia do fiscal, o pequeno Eduardo se divertiu tocando o apito do trem Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Por Eduardo de Lima Veiga, procurador-geral de Justiça
Ao som do apito do Minuano, Eduardo de Lima Veiga embalava a curiosidade de menino enquanto seguia para a distante Uruguaiana.

Apenas a leitora Rosana Petersen acertou que a criança da página 27 da Zero Hora de segunda-feira era Eduardo de Lima Veiga.

Chegamos com tempo, ao estilo do meu pai: "Se é para esperar prontos em casa, vamos esperar na estação". No caso era a estação de trens de Porto Alegre. Ali já nos esperava o Minuano, maravilhoso trem de passageiros dos anos 50 e 60. Entramos e meu pai acomodou a bagagem sobre os nossos assentos. Eu, minha mãe e minha irmã íamos passar uns dias na casa de meus avós, em Uruguaiana.

Chegou a hora. O fiscal grita. Meu pai desce. Às 17h, o Minuano parte. Lentamente ganha velocidade. Minha mãe, minha irmã e eu abanamos para meu pai, que retribui e vai ficando pequeno e distante parado na plataforma. Minha irmã, menor, fica tranquila. Já eu trato de explorar aquele mundo maravilhoso com um balanço ritmado. Voo pelo corredor. Apoio-me nos braços das cadeiras e fico me embalando.

Logo vem a correção materna. Corro de novo, passo para o carro seguinte e descubro um bar, com bancos redondos fixos contra o balcão. "Moço, tem Grapete? Mãe, posso tomar uma Grapete?". "Não, eu trouxe suco para vocês". Minha mãe sempre caprichou no "fiambre" para as viagens de trem. O fiscal simpatiza comigo e me convida para conhecer a máquina.

"Lá na frente?". Do alto de um banquinho, vejo os trilhos passando rápido. Diminuímos a velocidade em uma pequena estação onde um homem estica uma grande argola com um papel. O maquinista coloca o braço para fora, apanha a argola, retira o papel e rapidamente atira a argola para fora da janela. O que é isso, pergunto.

"É um telegrama". "Para quê?". "Para saber como está o caminho para frente". "Posso tocar o apito?". PIIIUUIIIIIIIIIIIII! Já se fez noite. Hora de voltar ao meu lugar. Minha mãe serve o fiambre e o suco. A luz diminui, caímos no sono. Acordo em algumas paradas. "Mãe, onde estamos?".

"Cachoeira, Santa Maria, Cacequi, Caverá". Chegamos ao Alegrete e meus avós paternos estão na estação para aproveitar a passada e nos ver. Abraços e beijos e logo toca o sino. Agora falta pouco. Guassu-Boi, Plano Alto, Carumbé e, finalmente, Uruguaiana, já na metade da manhã.

Meus avós nos esperam na estação. Começaram as férias. Talvez esta narrativa concentre muitas viagens no Minuano, talvez algumas no Pampeiro. Não importa. Este foi o trem da minha infância.

Sabe quem é a pessoa na foto? Clique e dê seu palpite! A resposta será publicada na ZH de quarta-feira.

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Comentar esta matéria Comentários (1)

Fumeta

Que maluquice. Minuano era máquina diesel, nunca foi a vapor. De resto era assim mesmo. Talvez porque ele fosse muito pequeno não lembra que no bar do trem tinha uma coisa maravilhosa no início dos anos 70, um forno de micro-on das, coisa que garçon achava 'coisa do diabo' pois aquecia sem fogo.

07/02/2012 | 07h28 Denunciar

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