Houve uma vez um verão26/02/2012 | 04h46

Carlos Simon relembra os veraneios na fronteira

As férias em um camping, na fronteira com a Argentina, reservavam momentos de aventura a Carlos Simon

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Carlos Simon relembra os veraneios na fronteira Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Carlos Simon passava as férias em Ilha do Chafariz, na fronteira com a Argentina Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Por Carlos Eugênio Simon, ex-árbitro da Fifa e comentarista

Era janeiro de 1978 e, como fazíamos em todas as férias escolares, meu pai, que era professor – esse que está deitado na rede (na foto), num merecido descanso – depois de um ano letivo intenso, preparava a família para as esperadas férias. Íamos para Ilha do Chafariz, na fronteira com a Argentina, destino certo da maioria dos moradores da região do Alto Uruguai – noroeste do Rio Grande do Sul.

Era ali que acampávamos. Já éramos conhecidos do pedaço e, no camping, tínhamos lugar reservado, pois era certo que a família do professor Ramiro estaria por ali no mês
de janeiro inteiro. Os dias passavam lentamente, jogava bola, bolita, pescava e tomava mate com a família, costume que tenho desde os tempos de guri.

A tarefa mais desafiadora – atravessar o canal a nado. Sim, a nado. Tinha um canal com correnteza forte que só podia ser atravessado na balsa do Pedro ou a nado. Quando estava com os meus pais ia na balsa, comportado. Porém, quando estava com os amigos, fazíamos até competição para ver quem chegava primeiro. Não tinha estilo nenhum, ou melhor, o estilo era nado de rio mesmo, o negócio era chegar ao outro lado são e salvo.

Como o escritor gaúcho Simões Lopes Neto escreveu nos Causos do Romualdo , “viver é fácil, meu caro, difícil é saber viver”. Era o que a família do seu Bento Ramiro fazia
na beira de um rio. Das conversas de “gente grande” que escutava, e como era bom ouvir essas charlas campeiras. Às vezes, aparecia um castelhano no lado de cá e participava delas. Ouvíamos tudo com atenção, de vez em quando eu falava alguma coisa, mas discordar deles era difícil, pois imperava o respeito aos mais velhos.

Lembro-me de uma vez que estava só com minha mãe, dona Cenita, no acampamento e começou a pegar fogo num escapamento de gás próximo da barraca, onde ela cozinhava. Foi quando conseguiu soltar a mangueira do botijão e chutá-lo morro abaixo, explodindo lá no rio. Foi um chute certeiro. Vi vários desses depois que comecei a apitar. Até então, aquele aquele tinha sido o mais preciso.

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