Entrevista31/01/2014 | 10h19

"Nós fomos humilhados no Tribunal Regional do Trabalho", diz representante dos rodoviários

Emerson Dutra diz que grevistas não trabalharão enquanto não houver proposta real

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"Nós fomos humilhados no Tribunal Regional do Trabalho", diz representante dos rodoviários Ronaldo Bernardi/Agencia RBS
Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS

A solidez da posição dos rodoviários deve ser creditada a um acordo que foi feito entre a direção do sindicato e oposição, durante uma assembleia a portas fechadas. Pelo acordo, foi formada uma comissão de oito representantes dos trabalhadores dos consórcios das empresas de transporte que participam das negociações e também fiscalizam a direção do sindicato. Mas o poder de fechar o acordo é uma exclusividade da direção da entidade, desde que tenha respaldo na assembleia. 

Na opinião de Emerson Dutra, 41 anos, diretor de divulgação e propaganda do Sindicato dos Rodoviários, esse arranjo político dá credibilidade ao que for acordado com os patrões. A respeito do rompimento do acordo feito com a Justiça do Trabalho de colocar 50% da frota da rua, ele disse que a categoria foi coagida durante o processo de negociação. Durante a manhã e no início da tarde desta sexta-feira, Dutra conversou com Zero Hora sobre a greve. Confira a seguir trechos da conversa. 

Zero Hora — A prefeitura tomou duas medidas: deu um prazo até o meio-dia para a Brigada Militar (BM) proteger a saída dos ônibus, caso contrário irá recorrer à Força de Segurança Nacional. E vai começar a contratar motorista provisórios. O que vocês vão fazer?

Emerson Dutra —
Todas as empresas têm uma viatura da BM na frente. O que está acontecendo, e que eles não conseguiram assimilar, é que a greve se deve à indignação do trabalhador rodoviário. Eles podem botar o Exército que não irá adiantar. O trabalhador cruzou os braços e não irá trabalhar.

ZH — Mas ontem vocês fizera um acordo, que colocaria 50% da frota na rua. Por que não cumpriram o acordo?

Dutra —
  Nós fomos humilhados no Tribunal Regional do Trabalho.

ZH —  De que  forma?

Dutra —
Fomos ameaçados de sair presos de lá pela desembargadora. Nós pedimos para ela para ir lá falar com a categoria antes de fazer o acordo, tinha 2 mil pessoas lá embaixo. O nosso pedido foi ignorado e nos falaram que nós éramos lideranças e tínhamos que decidir.

ZH — Quais serão os próximos passos do movimento?

Dutra —
Se a patronal não vier com uma proposta real, os trabalhadores irão continuar com os braços cruzados.

ZH — Há quanto tempo o senhor participa de movimentos reivindicatórios da categoria?

Dutra  Desde 1987.

ZH — Que diferença tem esse movimentos dos outros?

Dutra —
A diferença é que hoje o trabalhador é mais qualificado, ele tem o Ensino Médio, tem acesso à internet e não é mais aquela pessoa que qualquer coisa está bom. Ele quer uma melhor condição de vida para a sua família.

ZH — Qual a influência que tem no movimento a disputa política interna no sindicato?

Dutra — No ano passado tivemos uma briga política ferrenha com entidades infiltradas no nosso setor. Qual a atitude que tivemos esse ano? Nós pegamos todas as lideranças das empresas, mesmo aqueles que não concordam com a linha política do sindicado, e fizemos uma assembleia em um lugar fechado, só entrava com crachá. A assembleia aconteceu por uma exigência da categoria, ali tiramos uma comissão que acompanha as negociação composta por todas as tendências. Portanto, nós não estamos divididos.

ZH — Está comissão tem poder de decisão?

Dutra — Ela não tem poder de decisão. Ela funciona como fiscalizadora de todo o processo de negociação. O poder de fechar acordo é da direção do sindicato e da assembleia.

ZH — Esse arranjo, feito entre a direção da entidade e a oposição, é suficiente para dar credibilidade ao que for acordado?

Dutra — Total.

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Reivindicações

A greve foi definida em assembleia da categoria na última quinta-feira. Os rodoviários querem 14% de aumento, reajuste do vale-alimentação de R$ 16 para R$ 20 e manutenção do plano de saúde, sem desconto no salário. Porém, as empresas oferecem 5,56% (reposição integral da inflação no ano, segundo o INPC) e querem coparticipação financeira dos empregados no plano de saúde.

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