De volta às ruas30/01/2014 | 18h00

Greve dos rodoviários é suspensa temporariamente após acordo na Justiça

Sindicato da categoria se comprometeu a colocar 50% da frota na sexta-feira e, a partir do sábado, 100% dos ônibus circulando na Capital

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Greve dos rodoviários é suspensa temporariamente após acordo na Justiça Mauricio Tonetto/Agência RBS
Centenas de rodoviários se reuniram em frente à Justiça do Trabalho para acompanhar a negociação Foto: Mauricio Tonetto / Agência RBS

Em uma negociação dura e tensa, rodoviários e representantes das empresas de ônibus de Porto Alegre chegaram a um acordo provisório na tarde desta quinta-feira e se comprometeram a suspender temporariamente a greve geral. A trégua alivia a rotina de uma cidade imobilizada pela escassez de opções de transporte há quatro dias e acalma os ânimos de usuários.

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Reféns de lotações, táxis e vans clandestinas, alguns moradores depredaram pelo menos 21 coletivos nas últimas 24 horas, em protesto. De um lado, os sindicalistas garantiram que vão colocar 50% da frota em circulação nesta sexta-feira – 700 ônibus – e 100% a partir de sábado, durante 12 dias.

De outro, os empresários cederam ao aumentar o ticket alimentação em R$ 1 (de R$ 16 para R$ 17) e garantir a continuidade do subsídio de R$ 40 dos planos de saúde dos empregados. Segunda-feira, haverá novo encontro para tratar de todos as reivindicações trabalhistas. A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) montou um plano de ação para que todas as regiões da cidade sejam atendidas e prometeu fiscalizar ostensivamente as conduções irregulares.

O prazo praticamente coincide com a votação do relatório no pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre os custos do transporte público na Capital, em 12 de fevereiro, que pode abrir espaço para o aumento das tarifas, a principal demanda da classe patronal.

Dentro do movimento grevista, porém, as divergências políticas e ideológicas podem desmanchar o delicado acordo, costurado em quase três horas. Uma assembleia marcada para as 17h de sexta no Ginásio Tesourinha, a portas fechadas, será decisiva.

Os sindicalistas começaram a ser convocados logo após a audiência, realizada no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). Nem todos estão contentes com a suspensão da greve. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Julio Gamaliel, espera flexibilidade dos trabalhadores:

– Vamos conversar para que a gente não volte atrás. Tentamos fazer o melhor para ambos os lados. Estamos sensibilizados com o prejuízo causado à população e tenho certeza de que a categoria também está. Precisamos convencer o sindicalista de que ele precisa continuar trabalhando e ajudando. É uma trégua de alguns dias.

Barricadas nas garagens

O otimismo de Gamaliel foi contrastado pelos ânimos acirrados de uma parte dos rodoviários, comandada pela comissão de negociação da greve. Do lado de fora do TRT, um grupo de aproximadamente 300 trabalhadores, apoiados por Bloco de Luta pelo Transporte Público, CUT, Conlutas, PSTU e Psol, gritava pela continuidade da greve geral.

Em cima de um caminhão de som, o sindicalista Maurício Barreto, funcionário da STS, bradou:

– Eu tenho vergonha de dizer o que foi acordado aqui. Hoje eu testemunhei que a Justiça tem um lado, e é do patrão! Greve já!

Para impedir que os colegas trabalhem, parte dos rodoviários fala em armar barricadas com o objetivo de evitar que ônibus das empresas saiam das garagens a partir das 3h. Comandados por Alceu Weber, presidente da comissão de negociação, eles disseram ter saído humilhados da audiência.

O diretor-executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), Luiz Mário Magalhães Sá, defende que a solução foi apresentada e não acredita em continuidade da greve:

– Estamos otimistas. Eles vão cumprir, são pessoas sérias e responsáveis, e a prefeitura também cumprirá a parte dela, reajustando a tarifa a partir do dia 13.

Nesse prazo de 12 dias, a Justiça suspendeu a ilegalidade do movimento de greve e não cobrará multas diárias ao Sindicato dos Rodoviários, desde que 100% da frota esteja nas ruas, o que depende da unidade sindical na assembleia do Tesourinha.

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