O corte de árvores na Praça Júlio Mesquita, em frente à Usina do Gasômetro, para as obras da duplicação da Avenida Beira-Rio, em Porto Alegre, provocou mais protestos nesta quinta-feira. Organizada pela internet, uma manifestação se iniciou no local durante a tarde e se estendeu até a prefeitura, terminando à noite.
Após bloquearem a Avenida Presidente João Goulart com galhos e troncos, os manifestantes caminharam até o Paço Municipal. Além da manutenção das árvores, eles querem a revisão da obra.
— O Plano Diretor da cidade prevê parque no local. A preservação histórica e ambiental diz que as árvores têm de estar ali. É fundamental que haja democracia — diz a vereadora Fernanda Melchionna (PSOL).
Para o arquiteto e biólogo Francisco Milanez, 56 anos — 41 deles dedicados à Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan)—, a medida de compensação não condiz com a derrubada das árvores:
— Além disso, é necessário que haja acompanhamento e fiscalização do plantio das mudas.
O prefeito José Fortunati escreveu em seu blog um texto afirmando "grande preocupação por parte do poder público com a compensação das árvores que precisarão ser removidas" e que "as plantas exóticas serão substituídas por espécies nativas".
— Nada compensa aquelas árvores, o espaço de convivência. O destino daquela região não é o fluxo rápido: as árvores são o grande trunfo — diz a vereadora Sofia Cavedon (PT).
Na avaliação do biólogo Ronaldo Widholzer, 27 anos, a obra afasta a população da orla do Guaíba:
— Quanto maior a via, mais difícil o acesso das pessoas.
O corte é uma das etapas da duplicação da Avenida Edvaldo Pereira Paiva para a Copa do Mundo de 2014. Após a remoção de 14 árvores, a governo municipal teve de parar o trabalho em razão de protestos na quarta-feira. Conforme a prefeitura, as operações são legais, e o cronograma das obras não deve ser prejudicado. Para a semana que vem, estão marcadas reuniões na Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores e no Ministério Público para discutir o assunto.








