Em junho de 2011, Zero Hora mergulhou no universo dos táxis de Porto Alegre. Me passando por taxista novato, acertei a compra ilegal de permissão para explorar o serviço de carros de praça na Capital, um esquema clandestino que movimentava R$ 120 milhões por ano e que agora motiva a ação do Ministério Público do Trabalho.
Depois de 30 dias de investigação, produzi a série Farra das Licenças, em que revelava como funcionava o esquema de compra, venda e aluguel de permissões. Ao negociar a compra de táxis, ZH descobriu como procurações e contratos de gaveta garantiram o nascimento dos barões das placas, expressão pelo qual são conhecidos os taxistas que controlam parte da frota. Eles se aproveitavam de uma legislação municipal caduca, do início dos anos 1970, para adquirir prefixos em nome de laranjas. Entre eles, advogados e aposentados que jamais estiveram ao volante de um táxi e, mesmo assim, detinham mais de 30 veículos cada.
Logo após ZH publicar a série de reportagens, a prefeitura suspendeu as transferências e promotores e procuradores de Justiça prometeram agir. Um ano e meio depois, o pedido desta segunda-feira é uma resposta à população que sofre com carros sucateados que somem em dias de chuva. É preciso aguardar, agora, a reação do Judiciário em relação a prática que desafia a Constituição Federal e a Lei de Concessões.
Relembre a série:
Placas de táxi podem custar até R$ 430 mil no mercado ilegal de Porto Alegre
"Barão das Placas" controla uma frota de 30 táxis irregulares em Porto Alegre
Áudio: ouça a negociação feita por ZH para a compra de placas de táxi













