Rodovias federais02/12/2012 | 19h44

Menos de 40% dos controladores de velocidade previstos até o final do ano estão em operação no RS

Previsão do Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade era instalar 212 equipamentos ainda em 2012, mas apenas 75 estão operando

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Menos de 40% dos controladores de velocidade previstos até o final do ano estão em operação no RS Fernando Gomes/Agencia RBS
Pardais em Nova Santa Rita estão entre os 75 que funcionam Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS
Em execução desde fevereiro do ano passado para reduzir o número de acidentes em estradas federais, o Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade movimenta-se em marcha lenta de acordo com uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O relatório, publicado em outubro, apontou que a implementação do programa no país ocorria em um ritmo muito aquém do previsto pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e que as infrações flagradas por alguns equipamentos não eram traduzidas em multas aos motoristas.

Inicialmente, o cronograma do programa previa que 2.117 equipamentos estivessem em funcionamento em todo o país até o final de 2012. Diante da auditoria, gestores do Dnit, em acordo com as empresas contratadas, reduziram a meta a fim de por 1.650 medidores de velocidade em operação até o fim de dezembro. Mas, a um mês do prazo, somente 960 equipamentos estão gerando notificações no Brasil.

No Rio Grande do Sul, a previsão é instalar, até o fim do ano, 212 equipamentos de controle de velocidade para o monitoramento de 234 faixas de tráfego nas estradas federais. Porém, até o dia 20 de novembro, apenas 141 — 91 barreiras e 50 radares — haviam sido colocados em 145 faixas das rodovias.

E o número de equipamentos que realmente gera notificações aos condutores é ainda menor: só 75 estão ligados e aferidos pelo Inmetro, o que significa que menos de 40% dos radares e barreiras previstos para começar a funcionar no fim de 2012 estão em completa operação. Os outros ainda aguardam aferição ou ligação de energia elétrica.

Proximidade com as festas de
fim de ano e o verão preocupa


O professor João Fortini Albano, do Laboratório de Sistemas de Transportes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), lamenta o arrasto no cronograma, ainda mais com a proximidade das festas de fim de ano e do verão, quando os motoristas costumam pegar a estrada com mais frequência.

— Onde há cobertura por controladores eletrônicos, o usuário sabe os locais dos pardais para reduzir a velocidade, porque tem medo da multa. Na grande extensão que não tem cobertura, os abusos podem ocorrer, ainda mais que os motoristas são desacostumados com as rodovias, pois rodam no trânsito urbano. Sem o controle devido, obviamente poderá acarretar mais acidentes e mais mortes teremos a lastimar — explica o professor.

Ainda segundo o relatório do TCU, embora alguns pardais estejam em operação, as notificações de infrações e de penalidades não estão sendo produzidas, o que impossibilitaria a aplicação de sanções. Esta limitação decorreria, principalmente, da falta de acesso, por parte do Dnit, ao Sistema de Registro Nacional de Infrações (Renainf) para obter as informações dos proprietários dos veículos necessárias à autuação.

Em resposta, a sede do Dnit, em Brasília, afirmou que o sistema foi ajustado e funciona completamente. Entre 10 de agosto e 29 de novembro, com base nos registros fotográficos feitos pelos equipamentos, mais de 800 mil notificações já foram emitidas. No Estado, o problema também estaria resolvido.

— O Dnit enfrentou problemas com relação à consulta de dados do Renainf, mas isto já foi solucionado e as notificações já estão sendo registradas. Os equipamentos registram as infrações e a empresa responsável envia os dados para a central em Brasília. Lá, é feito o processamento dos dados, e o Dnit consulta as informações do sistema — explica a engenheira Paula Ariotti, analista de Infraestrutura de Transportes do Dnit no Rio Grande do Sul.

De acordo com a superintendência regional do Dnit, mais 71 equipamentos devem ser instalados em 89 faixas de tráfego no Estado, mas ainda estão em fase final de aprovação. O superintendente do departamento no Rio Grande do Sul, Pedro Luzardo Gomes, afirmou que está em contato com a sede, em Brasília, para acelerar as notas de instalação e as ligações de energia. A ideia é ter novos pardais operando até o fim do ano.

— Para colocar um pardal, é necessário determinar o local, fazer um estudo e enviá-lo para Brasília para ser aprovado. Depois tem a instalação, a ligação de energia elétrica, a aferição, e só aí começa a multar. É um processo demorado — explica o superintendente.

OS NÚMEROS

Para cumprir a 1ª fase do Programa Nacional de Controle Eletrônico de Velocidade, o Dnit/RS precisa:

— Monitorar 234 faixas de tráfego com 212 equipamentos de velocidade

Porém, até agora:

— Foram instalados 141 equipamentos que monitoram 145 faixas.

— Destes, apenas 75 estão em operação e registrando infrações.

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